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História do Brasil

A CRIAÇÃO DE DOM PEDRO I (INFÂNCIA DE DOM PEDRO IV)

Os irmãos Dom Pedro e Dom Miguel amavam praticar atividades físicas e se aventurar pelas matas cariocas. Montados a cavalo faziam grandes perseguições. Também adoravam brincar de “Guerra” onde formavam dois exércitos junto aos filhos dos escravizados, armados a paus e pedras.

O príncipe Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourboun nasceu no dia 12 de outubro de 1798 no Palácio de Queluz após um trabalho de parto de quase quatro dias.

Príncipe Pedro de Alcântara em 1800, por Agustín Esteve

Filho do Príncipe português Dom João e da infanta espanhola Dona Carlota Joaquina o menino foi criado no meio de uma família visivelmente problemática.

Dona Carlota Joaquina, sua mãe, foi descrita como uma mulher desprovida de beleza, mas extremamente inteligente e ambiciosa.

D. João VI e D. Carlota Joaquina Manuel Dias de Oliveira, 1815 Museu Histórico Nacional.

Antes de partir para Portugal para se casar com Dom João, Dona Carlota teve que passar por exames públicos onde toda a corte espanhola estava presente. Perante nobres e embaixadores a menina respondeu questões sobre a história, geografia, religião, gramática e línguas como o português, francês e espanhol.

A jovem deixou todos impressionados com sua memória extraordinária, conhecimento e principalmente seu desembaraço. Aos 10 anos de idade a menina era um verdadeiro gênio mirim. Entretanto possuía um péssimo comportamento, era birrenta, inquieta e lembrada como uma criança impossível.

Em certa ocasião, a infanta precisava acordar cedo para ir à missa, a menina não queria sair da cama. As criadas que tinham a obrigação de ajudar a menina a se vestir ouviam os xingamentos e palavrões que a infanta proferia contra elas. Além disso tentava morder as mãos das empregadas que tentavam vesti-la.

Dona Carlota Joaquina era a neta predileta do Rei Carlos III. A diversão preferida da menina era conduzir uma carroça puxada por um pônei ou andar de burro.

O Rei Carlos III e sua neta, Carlota Joaquina ainda bebê.

Dom João, foi descrito assim como sua esposa, um homem desprovido de beleza, com um lábio inferior grosso e caído, seu temperamento era completamente diferente da esposa, era bondoso, inseguro e sofria de periódicas crises de depressão. Apreciava muito a música sacra e era um grande leitor de obras sobre arte. Vale lembrar que Dom João fundou grandes instituições no Brasil, como a Academia Real de Belas Artes, o Jardim botânico, o Banco do Brasil e a Escola de Cirurgia da Bahia.

No início do casamento, Dom João e Dona Carlota foram relativamente felizes.

Certa vez a menina foi infestada por piolhos, chegando ao ponto de ter que raspar a cabeça lotada de feridas e pus. Por recomendação médica, Dona Carlota teve que ficar em seus aposentos até seu couro cabeludo cicatrizar. Dom João ia visitar a esposa duas vezes ao dia, ficava andando de quatro no chão imitando um burro com Carlota nas costas, tudo isso só para agradá-la.

A avó de Dom Pedro era a Rainha de Portugal Dona Maria I, que enlouqueceu depois de diversas mortes e catástrofes acontecerem em sua vida. Como as mortes sucessivas de seu marido, filho primogênito, neta, filha, outro neto e genro. Além disso temia pelas consequências da Revolução Francesa em Portugal, já que o rei Luís XIV tinha sido guilhotinado em 1777. Para completar o tormento, um bispo afirmava que o pai de Dona Maria estava ardendo no inferno e que o local estava a sua espera. Tudo isso fez a Rainha enlouquecer.

Maria I de Portugal, por Giuseppe Troni.

Dom João VI sofria com algumas crises de depressão, chegando a se isolar em Vila Viçosa. Em 1806, Dona Carlota escreveu aos seus pais, reis da Espanha: “O príncipe está com a cabeça quase totalmente perdida” a princesa ambiciosa, sugeriu a corte que o príncipe estava ficando louco como sua mãe e incapacitado de governar. Carlota que sempre almejou ser a rainha, tentou tomar a regência nessa ocasião, mas sua conspiração não deu certo. Após ficar sabendo da conspiração o príncipe Dom João retornou a Lisboa e pôs um fim ao plano da esposa.

Depois disso Dom João e Dona Carlota passaram a viver em cortes separadas, se encontrado apenas em eventos protocolares. Após a conspiração malsucedida, a família passou a morar em residências separadas, a mãe na Quinta do Ramalhão, o pai em Mafra e o menino junto a avó em Queluz.

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RIBEIRO, Sabrina. A criação de Dom Pedro I (Infância de Dom Pedro IV). Canal Apaixonados por História – Professora Sabrina Ribeiro, São Paulo, 27 de julho de 2020. Disponível em: https://apaixonadosporhistoriacanal.com/2020/07/27/a-criacao-de-dom-pedro-i-infancia-de-dom-pedro-iv/

Segundo o escritor Paulo Rezzutti “Quem mais se prejudicou com a separação foi o pequeno príncipe da Beira, D. Pedro de Alcântara que acabou por morar no Palácio de Queluz em companhia da avó louca”

Dona Carlota Joaquina deu à luz a 9 crianças, Dom João assumiu publicamente a paternidade de todos, mas confessava em particular, que nem todos eram seus filhos legítimos.

Filhos de Dona Carlota Joaquina

Inúmeras fontes bibliográficas e testemunhos da época, contam que os três últimos filhos de Carlota Joaquina, eram frutos de seus relacionamentos extraconjugais com amantes diferentes, pois a rainha não era fiel nem ao marido nem aos amantes.

Segundo o escritor português Alberto Pimentel, passa como certo que dos nove filhos que D. Carlota Joaquina deu à luz, apenas os primeiros quatro tiveram por pai D. João VI.

Em relação ao nascimento do Príncipe Dom Miguel, Dom João afirmava aos diplomatas que o menino não era seu filho, pois não se relacionava com Dona Carlota havia dois anos. Algumas fontes sugerem que Dom Miguel, na verdade, poderia ser filho do Marquês de Marialva, do jardineiro do palácio ou até mesmo de um serviçal do Ramalhão.

Dom João assim como Dona Carlota, não era fiel a sua esposa, chegando a ter uma filha bastarda que ficou em Portugal. Os pais de Dom Pedro se odiavam e não tinham a fidelidade como princípio do matrimônio.

O embaixador francês Jean-Andoche Junot contou a sua esposa, Laura Junot sobre a família peculiar:

“- Meu Deus, como ele é feio! Meu Deus, como a princesa é feia! Meu Deus, todos eles são feios! Há apenas um rosto bonito lá: o do príncipe herdeiro, o Príncipe da Beira, o Infante D Pedro. Ele é encantador; parece uma pomba em meio a corujas.” Dom Pedro foi descrito como uma criança encantadora.

O Imperador Dom Pedro I, por Simplício Rodrigues de Sá

Já no Brasil podemos perceber a liberdade na qual príncipes foram criados: Os irmãos Dom Pedro e Dom Miguel amavam praticar atividades físicas e se aventurar pelas matas cariocas. Montados a cavalo faziam grandes perseguições. Também adoravam brincar de “Guerra” onde formavam dois exércitos junto aos filhos dos escravizados, armados a paus e pedras. Essa brincadeira sempre acabava em pancadaria. Tudo isso era feito longe dos olhos dos adultos e cortesãos.

Pedro 1809, por Francesco Bartolozzi

Uma vez Dom Pedro se machucou em uma dessas brincadeiras e ficou sem andar, disse ao médico da corte que tinha caído do cavalo, mas o doutor desconfiava que aquele machucado tinha sido provocado por um porrete.

Outra mirabolante história de infância de Dom Pedro foi quando o príncipe juntou seu exército mirim e atacou os soldados reais do palácio que estavam em menor número. Contam que os meninos teriam espancado os soldados de Dom João.

Dona Carlota dizia abertamente sobre sua preferência pelo filho caçula Miguel e desprezava Dom Pedro constantemente. Inclusive foi ela quem auxiliou Dom Miguel a usurpar o trono português. Uma prova de sua preferência foi quando faleceu, Dona Carlota deixou a maior parte da herança para Miguel.

Dom Miguel I de Portugal, por João Batista Ribeiro

Leopoldina quando chegou ao Brasil ficou horrorizada com a família do esposo. Dizia que a sogra lhe parecia amoral e se comportava de forma vergonhosa, bem como a educação que dava às filhas menores. Segundo Leopoldina, as cunhadas ainda solteiras eram mais conhecedoras de certos assuntos do que mulheres maduras e casadas.

Com exceção da cunhada Maria Teresa, que segundo Leopoldina era amável, educada e uma verdadeira amiga.

Sobre Dom João Leopoldina escreveu: “Não tenho palavras para elogiar a bondade e a solidariedade de meu sogro em tudo o que diz respeito […] é muito benevolente comigo.”

Esse foi o ambiente em que Dom Pedro I cresceu, de uma forma livre em meio uma família problemática.

ASSISTA O VÍDEO NO CANAL APAIXONADOS POR HISTÓRIA:

Canal Apaixonados por História

FONTES & LIVROS:

REZZUTTI, Paulo. D. Leopoldina: a história não contada. A mulher que arquitetou a Independência do Brasil. Editora: LeYa.

REZZUTTI, Paulo. D. Pedro: O homem revelado por cartas e documentos inéditos. Editora: LeYa.

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Por Apaixonados por História - Professora Sabrina Ribeiro

O Canal Apaixonados por História foi criado no dia 11 de janeiro de 2020 pela historiadora, pesquisadora e Professora Sabrina Ribeiro.

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