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DOM PEDRO FOI REJEITADO POR PRINCESAS EUROPEIAS?

A Princesa de Sardenha que havia sido pedida em casamento por Dom Pedro I, ao ficar sabendo de tais notícias, se ajoelhou perante seu pai o Rei de Sardenha e aos prantos a moça implorou que não aceitassem o tratado de casamento. Seu pedido foi atendido e Dom Pedro levou mais uma negativa.

Após a morte de Dona Leopoldina em 1826, Dom Pedro I encontrou muitas dificuldades para conseguir uma nova esposa. Era impensável que sua amante, a Marquesa de Santos pudesse ser a Imperatriz do Brasil, pois além de não ser uma princesa ela era mal vista e odiada pelo povo.

Marquesa de Santos, por Francisco Pedro do Amaral/ Dom Pedro I por Simplício Rodrigues de Sá

Dom Pedro I solicitou ao Marquês de Barbacena que buscasse na Europa uma noiva e segundo o escritor Paulo Rezzutti:

“Nenhum soberano deveria pedir a mão de uma noiva sem ter certeza de que o pedido seria concedido; as consultas portanto, deveriam ser feitas de maneira indireta, a fim de salvaguardar a dignidade do soberano em caso de negativa.”

Nessa altura a fama de péssimo marido infiel de Dom Pedro I estava propagada em todas as cortes europeias, todos sabiam de seu caso extraconjugal com Domitila de Castro e das humilhações que Dona Leopoldina tinha sofrido no Brasil.

Em 1827 Dom Pedro e o diplomata austríaco Barão de Mareschal enviaram cartas a Viena, informando que o Imperador tinha terminado seu relacionamento com Domitila e que estava arrependido, Mareschal garantia que o Imperador tinha mudado seu caráter. Acontece que o Imperador tinha enganado o diplomada, na verdade ele continuava se encontrando as escondidas com Domitila de Castro.

Tais cartas comoveram a quarta esposa do Imperador Francisco I, antiga madrasta de Leopoldina, que acreditou que Dom Pedro I tinha se convertido ao Espírito Santo e se arrependido de seus pecados. A Imperatriz Carolina Augusta da Áustria fez questão de ir a Baviera tentar arranjar um bom casamento para Dom Pedro com uma de suas sobrinhas.

Imperador Francisco I e a Imperatriz Carolina Augusta da Baviera em um camarote.

As tratativas de casamento eram feitas em sigilo e acordadas como um segredo entre os reinos. Assim que os jornais alemães ficaram sabendo que Dom Pedro I procurava uma nova esposa, fizeram questão de publicar diversos textos falando muito mal do Imperador brasileiro, que era um bom pai, mas tinha uma péssima reputação como marido.

As princesas da Baviera, ao ficarem sabendo de todas essas coisas horrorosas acabaram negando o pedido. Dificilmente uma princesa deixaria as cortes europeias, atravessaria o oceano para casar-se com um homem viúvo, pai de cinco crianças e com fama de infiel.

Depois, os diplomatas enviaram ao Reino de Wurttemberg uma proposta de casamento e a resposta foi negativa.

Vale lembrar que a Imperatriz Leopoldina, descendente de uma das dinastias mais poderosas da Europa marcou a história sendo a primeira princesa europeia a ter coragem de atravessar o atlântico para cumprir o tratado de seu casamento com um príncipe português no Brasil.

Em 12 de outubro de 1827, durante o aniversário de 29 anos do Imperador no Brasil, quatro irmãos e mais de 30 parente de Domitila receberam títulos e graças de Dom Pedro I, essa notícia chegou como uma bomba na Europa, os jornais diziam que o Imperador brasileiro não deixaria a amante nunca.

Dom Pedro, por Simplício Rodrigues de Sá

Para piorar a situação seu antigo sogro, pai de Dona Leopoldina, o Imperador austríaco Francisco I, não via o genro com bons olhos e tratava de divulgar entre as cortes a má-fama de Dom Pedro como marido.

A Princesa de Sardenha que havia sido pedida em casamento por Dom Pedro I, ao ficar sabendo de tais notícias, se ajoelhou perante seu pai o Rei de Sardenha e aos prantos a moça implorou que não aceitassem o tratado de casamento. Seu pedido foi atendido e Dom Pedro I levou mais uma negativa.

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RIBEIRO, Sabrina. Dom Pedro I foi rejeitado por princesas
europeias?. Canal Apaixonados por História – Professora Sabrina Ribeiro, São Paulo, 10 de agosto de 2020. Disponível em: https://apaixonadosporhistoriacanal.com/2020/08/10/dom-pedro-foi-rejeitado-por-princesas-europeias/

Mais uma vez os diplomatas tentaram arranjar matrimônio com o Reino de Wutternberg e a resposta foi não novamente.

Partiram para a corte Napolitana, um diplomata italiano apenas tocou no assunto com o Rei de Nápoles e logo recebeu uma negativa, o monarca afirmava que sua filha jamais embarcaria para o Brasil. O Imperador Dom Pedro teve um pedido de casamento negado de uma princesa que nem tinha sido pedida ainda.

Naquela época um monarca não podia ficar solteiro por muito tempo, não era algo bem visto, pois casamento era um assunto de estado na monarquia, casamento era tratado como um negócio.

Em julho, Dom Pedro recebeu novamente negativas de outras princesas europeias, dessa vez as princesas da Dinamarca e da Suécia. Todas recusavam o pedido de casamento do imperador, que tomado pela ira diante a tantos fracassos, cogitou a possibilidade de ficar viúvo para sempre, escreveu alguns rascunhos dando a entender que já que ninguém o queria, ele não queria mais ninguém também, entretanto acabou por não enviar tais cartas furiosas.

O imperador exigia que a princesa deveria ser bela, virtuosa (ou seja virgem), de bom nascimento e instruída, como era Dona Leopoldina. Barbacena sugeriu que Dom Pedro diminuísse suas exigências, ou então não conseguiria se casar novamente, ao que Dom Pedro respondeu:

“Se reunir as quadro condições, podereis admitir alguma diminuição na primeira e na quarta, contanto que a segunda e a terceira sejam constantes.”

Imperador Dom Pedro I do Brasil sobre sua futura noiva

Ou seja, o Imperador quis dizer que a noiva não precisava ter um bom nascimento nem ser instruída, mas que exigia que fosse bela e virgem.

Nesse meio tempo Domitila e Dom Pedro terminavam e voltaram diversas vezes, o imperador tentava se afastar, mas sempre tinha recaídas.

Outra princesa recusava Dom Pedro, dessa vez a princesa de Baden, na qual sua mãe comentou sobre uma parente que tinha uma filha com idade para se casar e assim foi Barbacena procurar Augusta de Leuchtenberg a viúva de Eugênio de Beauharnais.

Chegando a residência da princesa bávara Amélia de Leuchtenberg, Barbacena encontrou nela as duas qualidades que o Imperador exigia, era bonita e virtuosa, mas não era instruída e seu nascimento deixava a desejar. Dona Amélia não tinha uma linhagem muito elevada em comparação a Dona Leopoldina. Sem contar que muitas cortes minavam ódio por Napoleão que era seu avô-adotivo.

Amélia de Leuchtenberg, por Friedrich Durck

Quando a proposta de casamento foi feita a mãe da menina viu que era uma chance de Amélia elevar o status da família, pois se ela se casasse com o Imperador, ela se tornaria uma Alteza Imperial, o que significaria que dentro da hierarquia da época era o título mais alto a ser atingido. Isso melhoraria o status de toda a sua família que seriam tratados com mais respeito e dignidade na corte.

Finalmente após ser rejeitado por mais de 5 princesas, Dom Pedro I conseguiu arranjar um casamento. Para os Leuchtenberg o casamento com Dom Pedro era muito favorável.

Em carta o marquês de Resende afirmou para Dom Pedro:

“Ela é bela e é esse o seu maior predicado. É a única de tantas princesas pedidas que teve o ânimo para desprezar intrigas para passar o oceano e para ir unir a sua sorte de V. M.I. […] Faça feliz a única princesa que o quis.”

Bom, se vocês quiserem saber mais sobre como foi o casamento de Dona Amélia e Dom Pedro I deixem nos comentários. O que posso adiantar é que a Imperatriz Amélia foi uma ótima madrasta para os filhos órfãos de Dona Leopoldina.

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FONTES & LIVROS: D. Pedro: O homem revelado por cartas e documentos inéditos. Autor: Paulo Rezzutti. Editora: LeYa.

Por Apaixonados por História - Professora Sabrina Ribeiro

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