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O CASAMENTO DE D. AMÉLIA E DOM PEDRO I

Foi oferecido um baile na qual todas as damas se vestiram de rosa, a cor preferida da Imperatriz. Os jornais relataram que todos os tecidos e fitas de cor rosa esgotaram na capital do império.

Após o falecimento da Imperatriz Maria Leopoldina do Brasil, em dezembro de 1826, Dom Pedro I solicitou ao Marquês de Barbacena que encontrasse na Europa uma segunda esposa.

(Marquês de Marialva), por Oscar Pereira da Silva

Não foi uma missão fácil dada ao diplomata já que o Imperador havia exigido quatro requisitos para aceitar uma nova esposa: ela deveria ter um bom nascimento, bela, virtuosa e culta.

A verdade é que dificilmente uma princesa com todos esses requisitos deixaria as cortes europeias, atravessaria o oceano para se unir a um viúvo, pai de cinco crianças, de pouca fortuna e com fama de infiel.

Para piorar a situação, seu antigo sogro, o imperador austríaco Francisco I, não via o genro com bons olhos. Em uma anotação o pai de Dona Leopoldina escreveu: “Que homem miserável é meu genro”

Após receber o “não” de oito princesas perante sua proposta de casamento, Barbacena aconselhou o imperador para que diminuísse os requisitos da noiva, então passou a procurar uma candidata apenas “bela e virtuosa”.

A SORTE DO ENCONTRO

Por fim, após quase três anos de procura, o ministro do Império Brasileiro em Paris, Visconde de Pedra Branca, encontrou uma princesa bávara chamada Amélia Augusta Eugênia Napoleona e viu nela as duas qualidades que Pedro exigia. (Vale lembrar que a primeira vez que Dom Pedro a pediu em casamento, Amélia tinha apenas 15 anos. E a resposta de sua mãe foi NÃO, pois ela era muito jovem e não tinha sido apresentada a corte ainda.)

Auguste Amalie Prinzessin von Bayern, por Joseph Karl Stieler e seu marido Eugênio de Beauharnais (Pais de Amélia de Leuchtenberg)

Por ser neta-adotiva do General Napoleão Bonaparte, Amélia e sua família tiveram dificuldades no que diz respeito ao reconhecimento de sua nobreza, mas essa era a única imperfeição de Amélia, pois a princesa era muito formosa, alta, bem-feita de rosto e de corpo. Com um belo rosto delicado e cabelos alourados.

Quando a segunda proposta de casamento por Dom Pedro I foi feita, a mãe da menina viu que era uma chance de Amélia elevar o status da família, pois se sua filha se casasse com um imperador, ela, Amélia se tornaria uma Alteza Imperial e isso melhoraria o status de toda família.

O CASAMENTO

Bom, o casamento foi feito por procuração, assinado na Inglaterra em 30 de maio de 1829, ratificado em 30 de junho, pela mãe e tutora da noiva, a Duquesa de Augusta Leuchtenberg. O noivo foi representado pelo Marquês de Barbacena. Amélia tinha apenas dezessete anos, e seu marido, trinta.

Imperatriz Amélia de Beauharnais, gravura de Jean Baptiste Aubry Lecomte (Colorizada digitalmente pela Professora Sabrina Ribeiro)

Naquela época eram assim os casamentos, a Imperatriz se casava lá na Europa por procuração e depois aqui no Brasil novamente.

O imperador Dom Pedro I fez questão de enviar uma grande quantia em dinheiro para que Amélia fizesse uma luxuosa festa de casamento na Europa. Entretanto, a noiva e sua mãe decidiram doar a maior parte desse dinheiro a um orfanato, esse orfanato existe até hoje por conta dessa doação que Dona Amélia fez em 1829.

O povo brasileiro ficou muito feliz em saber que a nova imperatriz também tinha um coração muito caridoso, como Dona Maria Leopoldina.

Foi confirmado, no Brasil, em 30 de julho de 1829 o tratado do casamento de Sua Majestade o Imperador com Amélia.

A carta constitucional e a família real, Dona Amélia e o senhor dom Pedro IV, duques de Bragança, por Nicolas-Eustache Maurin

Após a confirmação do casamento, Pedro desfez permanentemente seu relacionamento com Domitila de Castro que estava grávida. Banindo-a para São Paulo e a proibindo de visitar o Rio de Janeiro.

Pedro criou como prova de sua boas intenções com Amélia, a chamada Ordem da Rosa. Uma belíssima ordem honorífica de grande valor nacional e sentimental, atribuídos apenas a pessoas que prestaram valorosos serviços à nação.

Esta ordem recebeu este nome pois a rosa era a flor preferida de Dona Amélia.

AS RECOMENDAÇÕES PARA A VIAGEM

O Brasil era longe demais, eram 2 meses de uma viagem perigosa. Além disso a futura Imperatriz estaria longe de todos os seus parentes.

A Duquesa de Leuchtenberg, mãe de Amélia a aconselhou para que fosse amorosa com os enteados, e que fosse firme em suas decisões como imperatriz, dando todo o apoio aos interesses brasileiros.

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RIBEIRO, Sabrina. O casamento de D. Amélia e D. Pedro I. Canal Apaixonados por História – Professora Sabrina Ribeiro, São Paulo, 17 de agosto de 2020. Disponível em: https://apaixonadosporhistoriacanal.com/2020/08/17/o-casamento-de-d-amelia-e-dom-pedro-i/

A mãe da noiva solicitou o cientista, médico e botânico, Carl von Martius, o mesmo que teria viajado com Dona Leopoldina da Europa ao Brasil para que explicasse a jovem sobre a nação que governaria.

Dona Amélia também impôs uma condição para vir ao Brasil, que seu irmão Augusto, o Duque de Leuchtenberg, também se tornasse uma alteza imperial recebendo o título de Duque de Santa Cruz. E de fato, ele veio acompanhando Amélia ao Brasil e recebeu o título.

Amélia de Leuchtenberg, retratada por Friedrich Durck e seu irmão Auguto de Beauharnais, por G. Dury.

A VINDA AO BRASIL

Amélia de Leuchtenberg chegou no Rio de Janeiro em 15 de outubro de 1829, bem antes da data prevista.

Diz a lenda que ao saber que o navio se aproximava, Pedro embarcou em um rebocador para encontrar a Imperatriz fora da barra, e ao ver tamanha beleza da esposa desmaiou de emoção, mas isso é apenas uma lenda, provavelmente essa pressa de Dom Pedro foi para encontrar sua filhinha Dona Maria da Glória que também estava desembarcando junto com a madrasta naquele mesmo dia. De fato, Dom Pedro era um pai muito preocupado.

Pouco depois do primeiro encontro do casal, os filhos do primeiro casamento de Pedro conheceram sua madrasta ainda no navio para almoçarem todos juntos.

No dia seguinte D. Amélia desembarcou, e foi recebida pela corte carioca.

A VIDA DE UMA IMPERATRIZ CONSORTE NO BRASIL

Amélia e Pedro receberam as bençãos nupciais na Igreja Nossa Senhora do Carmo antiga Catedral Imperial.

A beleza da imperatriz deslumbrou a todos, com um longo vestido branco e um manto bordado em prata.

Depois da cerimônia houve uma celebração pública com fogos de artifício, salvas de artilharia, repiques de sinos e cortejo de carruagens. Em seguida a corte foi servida com um grande banquete.

Foi oferecido um baile na qual todas as damas se vestiram de rosa, a cor preferida da Imperatriz. Os jornais relataram que todos os tecidos e fitas de cor rosa esgotaram na capital do império.

Somente no dia seguinte ao baile o casal iniciou sua lua-de-mel, passaram seis semanas na fazenda do padre Correa, na serra da Estrela, futura cidade de Petrópolis.

Vocês devem estarem se perguntando sobre a filha preferida de Dom Pedro I? a Duquesa de Goiás, se ela foi embora com Domitila para São Paulo ou o que aconteceu?

Isabel Maria de Alcântara, Duquesa de Goiás. Filha bastarda de Domitila e Dom Pedro I.

Dona Amélia não tinha ideia da existência da pequena Isabel Maria, na época com 5 anos, ela era a filha ilegítima de Dom Pedro I com a Marquesa de Santos. A nova Imperatriz só ficou sabendo da existência dessa menina muitos anos depois, entretanto a família de Amélia sabia da menina e tinham discutido, ainda lá na Europa sobre o assunto. Decidiram então afastar a Duquesa de Goiás da corte e manda-la para Paris.

Ao instalar-se em sua nova residência, percebendo a falta de protocolo e a bagunça que reinava no Paço de São Cristóvão, Amélia impôs à corte como língua oficial o francês. Procurou atualizar a moda e a culinária, redecorou o palácio e renovou os serviços de mesa e pratarias, tentando assim refinar os costumes. Obteve sucesso em seu objetivo. A organização e elegância da imperatriz, sempre impecavelmente vestida, a fez ficar famosa no estrangeiro.

Seu relacionamento com seus enteados foi, segundo diversos relatos, muito positivo. Dona Amélia cativou imediatamente o afeto do marido e de suas crianças, sua bela aparência, seu bom senso e sua gentileza no trato encantou a todos. A imperatriz se preocupava com a educação dada aos enteados e assegurou que convivessem em um ambiente familiar agradável.

Um viajante francês registrou pouco após o casamento: “Parece que a imperatriz continua a exercer sua influência sobre as crianças de Pedro. Os felizes resultados já são aparentes, já fez consideráveis reformas no palácio, e a ordem começa a reinar; a educação das princesas é supervisionada e dirigida pela imperatriz pessoalmente”.

Segundas núpcias do Imperador Dom pedro I com Dona Amélia de Leuchtenberg. Observe quatro dos cinco filhos do Imperador atrás: Príncipe Pedro de Alcântara, Princesa Maria da Glória, Princesa Francisca e Princesa Januária. Por estar doente novamente, a Princesa Paula Mariana não conseguiu participar da cerimônia de casamento.

O mesmo cuidado recebeu o herdeiro do trono, o pequeno Pedro de Alcântara, futuro Dom Pedro II, que rapidamente passou a chama-la de “mamãe”.

A madrasta sempre tinha uma palavra carinhosa para dizer e oferecia todo o seu carinho aos enteados. Verdadeiramente, Dona Amélia adotou os filhos de Dona leopoldina como se fossem seus. Até o fim de sua vida ela manteve correspondência com eles, tentando instruí-los e apoiá-los da melhor forma possível.

Sobreviveram cerca de seiscentas cartas trocadas que provam o carinho da madrasta para os enteados e vice-versa.

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FONTES & LIVROS: D. Pedro: O homem revelado por cartas e documenttos inéditos. Autor: Paulo Rezzutti. Editora: LeYa.

As mulheres de Dom Pedro I – D. Amélia. Amor e fidelidade num casamento imperial: d. Pedro e D. Amélia, por Mary del Priore, disponível em: https://historiahoje.com/as-mulheres-de-d-pedro-d-amelia/

Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Museu de Arte: Imperatriz Dona Amélia, matéria de Emanuel von Lauenstein Massarani, disponível em: https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=329406

Por Apaixonados por História - Professora Sabrina Ribeiro

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