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História do Brasil

DOMITILA DE CASTRO (PARTE I) MARQUESA DE SANTOS

Contam que o príncipe vinha cavalgando junto a sua comitiva, quando Domitila atravessou a estrada sendo carregada em uma cadeirinha de arruar por dois escravizados.

Essa biografia será dividido em duas partes, a primeira parte contará como foi o início da vida de Domitila de Castro, de 1797 até 1822. A segunda parte contará como foi a sua ascensão, de 1822 até 1867.

Para ler a Parte II clique no link: https://apaixonadosporhistoriacanal.com/2020/08/27/domitila-de-castro-parte-ii-marquesa-de-santos/

Nascida no dia 27 de dezembro de 1797 na província de São Paulo, Domitila de Castro Canto e Melo era a filha caçula de Escolástica Bonifácia de Oliveira Toledo Ribas e de João de Castro Canto e Melo. Seus pais eram membros de famílias ricas da elite paulista.

Não existem muitos registros sobre a infância de Titília, assim apelidada por sua família, mas sabemos que ela aprendeu a ler, escrever e fazer cálculos, o que já a diferenciava das outras mulheres de sua época, tendo em vista que a educação para as mulheres era bastante limitada e regrada.

Ao completar 15 anos, seus pais decidiram casá-la com um mineiro que havia se mudado para São Paulo a pouco tempo. Seu nome era Felício Pinto Coelho de Mendonça, que era alferes e membro do Primeiro Esquadrão do Corpo de Dragões de Vila Rica. Ele era oito anos mais velho que sua pretendente era considerado um bom partido para Domitila.

Retrato de Domitila de Castro Canto e Melo, por Maximiliano Scholze

Acabaram se casando em 13 de janeiro de 1813 e se mudaram para Vila Rica. Nesse mesmo ano, Domitila engravidou e deu a luz a sua primeira filha, batizada como Francisca. Três anos depois, Domitila engravidou novamente e deu à luz em novembro de 1816 a um menino que recebeu o nome do pai Felício.

A vida conjugal ia de mal a pior, Felício demonstrou ser um homem muito ciumento e agressivo, dado aos vícios da bebida e jogos de azar. Ele agredia e violentava Domitila constantemente. Cansada de tanto sofrer Domitila tomou uma decisão muito corajosa para a época, fugiu de Vila Rica para sua terra natal afim de salvar sua vida e conseguir o apoio de sua família, pois todos sabiam do caráter violento de seu marido.

Entretanto, Domitila e seu marido acabaram se reconciliando. Desse reconciliamento ela acabou ficando grávida e dando à luz ao terceiro e último filho do casal, que recebeu o nome de João, mas infelizmente o menino acabou falecendo ainda bebê.

A paz durou pouco tempo após a reconciliação, nessa mesma época a mãe de Felício faleceu e o alferes recebeu como herança muitas terras. Como mal caráter que era, Felício falsificou a assinatura de Domitila para vender as terras e ficar com o dinheiro todo para si, provavelmente para gastar em bebidas e jogos. No dia 6 de março de 1819, Felício tentou matar sua esposa, e esfaqueou Domitila duas vezes, uma na coxa e a outra na barriga. Ela ficou dois meses entre a vida e a morte, mas conseguiu sobreviver ao atentado e seu marido foi preso.

Condições de compartilhamento: Permitimos o compartilhamento do texto, ou parte dele, desde que cite a fonte desta forma:
RIBEIRO, Sabrina. Domitila de Castro (Parte I) Marquesa de Santos. Canal Apaixonados por História – Professora Sabrina Ribeiro, São Paulo, 21 de agosto de 2020. Disponível em:
https://apaixonadosporhistoriacanal.com/2020/08/21/domitila-de-castro-parte-i-marquesa-de-santos/

Felício afirmava que Domitila tinha cometido adultério com um oficial chamado Francisco de Lorena, mas o alferes não tinha nenhuma prova ou testemunha. Naquela época os maridos podiam assassinar suas esposas em caso de adultério. Domitila negou tudo.

Todos sabiam da má fama de Felício como marido violento e alcoólatra, e mesmo assim ele foi solto, graças as suas amizades. Felício, vingativo após ter fracassado em seu plano de matar Domitila, tentou então tirar dela o seu bem mais precioso, que eram seus filhos. Ele queria a guarda das crianças e tentou diversas vezes falar pessoalmente com o Rei Dom João VI para que intercedesse na decisão. Após a partida da Família Real em 1821 quem resolveria essas questões seria o príncipe regente Dom Pedro.

Em 1822 Dom Pedro precisava buscar aliados políticos para fazer a Independência do Brasil, o príncipe que estava casado há cinco anos com a arquiduquesa austríaca Leopoldina de Habsburgo-Lorena, já era pai de Maria da Glória, João Carlos e da futura princesa Januária que estava no ventre de sua mãe. Todos sabiam da fama de namorador que o príncipe tinha e de seus casos extraconjugais que não eram nada discretos.

Avenida Paulista no dia da Inauguração, 8 de Dezembro de 1891, por Jules Martin – Acervo do Museu Paulista da USP

Em agosto de 1822, Dom Pedro chegou na província de São Paulo para tentar buscar apoio e apaziguar a revolta da Bernarda de Francisco Inácio. Domitila era pouco mais de 9 meses mais velha que Dom Pedro.

Contam que o príncipe vinha cavalgando junto a sua comitiva, quando Domitila atravessou a estrada sendo carregada em uma cadeirinha de arruar por dois escravizados. Logo o príncipe fitou os olhos na jovem de 24 anos e elogiou sua beleza, rapidamente ele apeou do cavalo e foi ao encontro da senhorita. O próprio príncipe tomou a frente da cadeirinha, dispensou os escravizados e levou a veículo junto a um de seus guardas, Domitila não perdeu tempo e exclamou:

– Como vossa alteza é forte!

Domitila

Ao que Dom Pedro respondeu:

– Nunca mais vossa excelência terá negrinhos como estes.

Dom Pedro
Cadeirinha de Arruar que se atribui ter pertencido a Domitila de Castro. Foto do livro de Carlos Maul, A Marquesa de Santos.

Domitila de Castro Canto e Melo era uma mulher atraente para os padrões de beleza da época. Possuía uma pele clara e bem cuidada, seus olhos eram de um tom profundo de verde, o nariz era levemente curvo, mas delicado, seus dentes brancos. Era alta, mas seus ossos e músculos não eram aparentes. Era uma mulher divertida, simpática e espirituosa segundo muitos relatos.

No dia 29 de agosto de 1822, nove dias antes do grito do Ipiranga, o casal dormiu junto pela primeira vez.  No dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro proclamou a independência do Brasil e foi aclamado como o primeiro imperador dos brasileiros no Teatro da Ópera, onde certamente Domitila e sua família estavam presentes. De fato, não podemos negar que a história de Domitila se confunde com a Independência do Brasil, ela foi sem dúvidas o escândalo do primeiro reinado.

Marquesa de Santos, por Francisco Pedro do Amaral e Dom Pedro I por Simplício Rodrigues de Sá.

Nesse período Domitila engravidou, existem divergências sobre o destino dessa criança, alguns historiadores acreditam que ela tenha perdido o bebê e outros dizem que a criança nasceu morta. O que temos certeza é que um ano após o primeiro encontro Domitila se mudou com toda sua família e filhos para o Rio de Janeiro, a pedido do Imperador.

No próximo vídeo veremos como o que aconteceu depois que Domitila se mudou para a capital do Império.

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FONTES & LIVROS: D. Pedro: O homem revelado por cartas e documentos inéditos. Autor: Paulo Rezzutti. Editora: LeYa.

A Marquesa de Santos. Autor: Carlos Maus. Editora: De Ouro

A Marquesa de Santos. Autor: Paulo Setúbal. Editora: Companhia Editora Nacional.

Blog Antiguinho: Cadeirinha de Arruar. Disponível em: http://antiguinho.blogspot.com/2017/09/cadeirinha-de-arruar.html

Por Apaixonados por História - Professora Sabrina Ribeiro

O Canal Apaixonados por História foi criado no dia 11 de janeiro de 2020 pela historiadora, pesquisadora e Professora Sabrina Ribeiro.

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2 respostas em “DOMITILA DE CASTRO (PARTE I) MARQUESA DE SANTOS”

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