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História do Brasil

A VIAGEM DA FAMÍLIA IMPERIAL À BAHIA (1826)

O imperador estava a todo momento ocupado com assuntos relacionados a administração pública. Ele inspecionou instalações civis e militares em Salvador, depois mandou fazerem melhorias no que precisava. Fez uma verdadeira varredura, fiscalizando o trabalho de chefes e encarregados. Ele fez muitas caridades e condecorou quem era digno, além disso puniu os malfeitores que mereciam.

O ano de 1825 foi marcado por levantes e revoltas no Norte e Nordeste brasileiros. Em um desses levantes, alguns escravizados mataram diversas pessoas na província da Bahia.

Diante desse problema em seu governo, Dom Pedro I decidiu fazer uma visita a Bahia para tentar apaziguar os conflitos dos liberais baianos, como tinha feito anos atrás em São Paulo e Minas Gerais. A viagem a Bahia seria realizada entre os dias 2 de fevereiro e 1º de abril.

De início Dona Leopoldina ficou muito empolgada com a viagem ao nordeste, pois pela primeira vez desde 1822 ela pensou que ficaria longe da companhia da amante de seu marido. Para a infelicidade da Imperatriz e para escândalo do povo brasileiro, Dom Pedro levou consigo Domitila de Castro.

Alguns amigos de Dom Pedro I tentaram aconselhá-lo sobre o escândalo que seria caso ele levasse a amante na viagem política. Disseram que ele devia repeito a imperatriz e a filha, mas o imperador não escutava ninguém.

As pessoas faziam piada com a situação, diziam que o monarca “Levava a mulher para disfarçar a amante”.

O imperador fez questão que todos os ministros, militares e cortesões importantes o acompanhassem. Como era uma viagem política, Dom Pedro I decidiu levar sua filha primogênita, a Princesa Maria da Glória, pois a menina seria a futura Rainha de Portugal. Maria da Glória era uma menina muito inteligente e espontânea, aos 7 anos de idade, ela já entendia toda a situação que se passava no Palácio.

Princesa Maria da Glória, Imperatriz Maria Leopoldina, Imperador Dom Pedro I e Domitila de Castro.

Em uma carta enviada a Viena o barão de Mareschal escreveu:

A viagem da corte à Bahia deu lugar a um grande escândalo. Ver o imperador fazer acompanhar-se no mesmo navio pela imperatriz, sua filha mais velha e sua amante oficial ofendeu necessariamente todo o mundo, mas o medo pessoal que a violência do caráter deste príncipe inspira fechou a boca de todos. – A senhora arquiduquesa (Leopoldina) que, naturalmente, se devia sentir a mais ferida, mostrou a este respeito a mais perfeita indiferença […]: o único receio que ela se dignou exprimir referiu-se ao mau exemplo que isso daria à jovem princesa, criança precoce a quem nada escapa. Não sei se isto é sabedoria, filosofia prática ou despreocupação, mas a gente não se poderia conduzir com mais tato do que a arquiduquesa. […] o imperador recebeu cartas anônimas, onde o censuravam de levar a mulher só para servir de véu para a sua amante Ficou por causa disso muito irritado e apressou-se em levar as cartas à imperatriz: esta recebeu tão estranha confidência com o seu costumado sangue-frio, dizendo-lhe que aquilo ou era falso, ou verdadeiro, que no primeiro caso não valia a pena ocupar-se com isso e no segundo seria preciso fingir que se despreza o boato para fazê-lo cair. O mais engraçado é que o sangue-frio da imperatriz enraiveceu o imperador, e ele censurou-a por não se aborrecer com eçe; pôde observar-se em seguida que Sua Majestade aparecia constantemente em público com a senhora arquiduquesa e que redobrou de atenção e consideração para com ela.

Barão de Mareschal, diplomata austríaco.

Segundo o escritor Paulo Rezzutti a atitude de D. Leopoldina era política: se por um lado o casamento lhe trazia certas obrigações, como aguentar calada as amantes do marido, por outro ela tinha maior noção do que D. Pedro do seu dever como imperatriz, estando pronta para aguentar as humilhações a fim de não desprestigiar a coroa perante o povo.

Nesse período Dona Leopoldina já estava afundada em dívidas, por conta de suas constantes doações aos humildes e enfermos. Em uma carta onde ela se queixava sobre a falta de dinheiro, que era dado amante, escreveu: “O meu esposo se interessa somente pela maldita bruxa e à outra (eu Leopoldina) pode acontecer o que quiser.”

Ao embarcarem no dia 2 de fevereiro de 1826, Dona Leopoldina recebeu aposentos inferiores ao da favorita. Durante a viagem de navio, o Imperador não fazia questão alguma de disfarçar seu relacionamento extraconjugal com Domitila, ele a chamava na frente de todos por “minha rica viscondessa” ou “minha Titília”.

No convés do navio que os levavam, Dom Pedro I passeava livremente de braços dados com Domitila e Maria da Glória.

Diante de tantas humilhações Dona Leopoldina passou a fazer suas refeições em sua cabine sozinha, enquanto Domitila, Dom Pedro I e Maria da Glória almoçavam e jantavam juntos.

Sobre a viagem Dona Maria Leopoldina deixou registrado que teria sido: “extremamente desagradável”, não pelo povo, nem pelo lugar, mas pela humilhação que sofria 24 horas por dia.

O povo baiano não deixou barato, quando a família desembarcou em Salvador no dia 26 de fevereiro, foram recebidos com jornalecos pendurados nas portas e colados nos muros repudiando a vinda de Domitila de Castro a província baiana. A presença da amante era uma desonra para o povo.

Casa da Relação do Estado do Brasil, Bahia. Imagem: Reprodução

Durante a estadia da Família Imperial na Bahia, Dom Pedro e Dona Leopoldina não se instalaram no mesmo local. A imperatriz ficou hospedada na Casa de Relação junto com sua filhinha. Enquanto o Imperador e a amante ficaram no Palácio do Governador.

Domitila se fazia presente em todas as cerimônias, quando passeavam de carruagem pelas ruas de Salvador, Maria da Glória e Domitila iam atrás enquanto Dom Pedro ia guiando o veículo na frente com Dona Leopoldina.

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RIBEIRO, Sabrina. A viagem da família imperial à Bahia (1826). Canal Apaixonados por História – Professora Sabrina Ribeiro, São Paulo, 4 de setembro de 2020. Disponível em:
https://apaixonadosporhistoriacanal.com/2020/09/04/a-viagem-da-familia-imperial-a-bahia-1826/

Em dado momento Domitila começou a sofrer fortes dores de ouvido, o imperador preocupado enviou uma carta a Dona Escolástica, mãe de sua amante avisando que os médicos trataram a doente com massas feitas à base de mostarda, que foram aplicadas sobre a pele devido seus efeitos relaxantes e anti-inflamatórios. Logo, Domitila se recuperou.

Vista da cidade de Salvador (Pinacoteca do Estado de São Paulo) Coleção Brasiliana

Dona Escolástica Bonifácia tinha ficado no Rio de Janeiro cuidando dos dois filhos bastardos que Domitila tinha dado a luz, Isabel Maria de 1 ano e 9 meses e o pequeno Pedro de Alcântara Brasileiro, com apenas 2 meses de vida.

Durante a viagem Dom Pedro fazia questão de saber tudo o que dizia respeito a seus filhos legítimos e bastardos. Em uma das cartas enviadas ao imperador, foi anunciada a trágica morte de Pedrinho, seu filho bastardo com Domitila. Não sabemos a causa da morte, mas sabemos que a mortalidade infantil era muito alta naquela época.

O ano de 1826 seria um ano de grandes perdas para Dom Pedro I, além de seu filho, o imperador perderia seu pai, o Rei Dom João VI, perderia o Visconde de Castro, pai de Domitila pelo qual o Imperador tinha muito respeito e consideração e perderia sua esposa, que apresentava todos os sinais de uma depressão profunda.

Voltando a viagem a Bahia… No âmbito pessoal a viagem foi um escândalo, mas no que diz respeito a política foi um sucesso. Dom Pedro I fez grandes avanços em seu governo durante a viagem a Bahia.

O imperador estava a todo momento ocupado com assuntos relacionados a administração pública. Ele inspecionou instalações civis e militares em Salvador, depois mandou fazerem melhorias no que precisava. Fez uma verdadeira varredura, fiscalizando o trabalho de chefes e encarregados.

Dom Pedro I reprimiu funcionários do governo que obrigavam escravizados a fazerem um serviço que não era destinado a eles e pelo qual os senhores eram pagos para fazer.

Em apenas um dia o Dom Pedro I recebeu e ouviu mais de seiscentos cidadãos e visitou as fortalezas da cidade.

O monarca planejou a construção de um novo cais destinado ao desembarque comercial para que os produtos descarregados não atrapalhassem o Arsenal da Marinha.

Ele fez muitas caridades e condecorou quem era digno, além disso puniu os malfeitores que mereciam.

O imperador mandou construir orfanatos e ordenou o restauro e aprimoramento da faculdade de medicina, Dom Pedro I fez questão de providenciar materiais importados da Inglaterra para a faculdade.

Foi nessa altura que o monarca foi informado pelo embaixador Charles Stuart sobre as tensões da na província Cisplatina.

Vista da cidade de Porto Seguro, por Maximilian, Prinz von Wied (Pinacoteca do Estado de São Paulo) Coleção Brasiliana

Depois de fazer tantas benfeitorias na Bahia, Dom Pedro I e sua família retornaram a capital do Império, desembarcaram no dia 1º de abril de 1826. Durante o desembarque o povo foi recebê-los no porto, uma multidão saudava o Imperador e a Imperatriz do Brasil.

O monarca, como sempre impaciente passou rapidamente pela multidão, sem dar muita atenção ao povo e se dirigiu a Capela Imperial onde foi preparado um Te Deum em comemoração ao retorno dos monarcas. Dona Leopoldina, ficou para trás, com toda a paciência e dando toda atenção, a Imperatriz cumprimentou e ouviu todos. Nesse mesmo ano de 1826 a amada Imperatriz faleceria.

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FONTES & LIVROS: D. Pedro: O homem revelado por cartas e documentos inéditos. Autor: Paulo Rezzutti. Editora: LeYa.

PDF Recôncavo Rebelde: Revoltas escravas nos Engenhos Bahianos – João José Reis (Universidade Federal da Bahia). Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/3589/1/afroasia_n15_p100.pdf

Correio 24 horas. Livro esmiúça o triângulo amoroso de Dom Pedro I que escandalizou a corte nacional – Historiadora Mary del Priore. Disponível em: https: //www.correio24horas.com.br/noticia/nid/livro-esmiuca-o-triangulo-amoroso-d-pedro-i-que-escandalizou-a-corte-nacional/

Câmara dos Deputados. D. Leopoldina, Imperatriz e Maria do Brasil – Obra comemorativa dos 200 anos da vinda de D. Leopoldina para o Brasil. Disponível em: http://www.ihgdf.com.br/wp-content/uploads/2017/11/leopoldina_imperatriz_menck.pdf

Blog do Vlad. A origem da lista tríplice para a escolha dos Chefes do Ministério Público. Disponível em: https://vladimiraras.blog/2018/10/12/a-origem-da-lista-triplice-para-a-escolha-dos-chefes-do-ministerio-publico/

Sé Primacial – Prospecto de Caldas. Guia Geográfico – Cidade de Salvador. Disponível em: http://www.cidade-salvador.com/seculo18/caldas/se-primacial.htm

Por Apaixonados por História - Professora Sabrina Ribeiro

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