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História do Brasil

DOM PEDRO I – O CAVALEIRO MAIS VELOZ DO RIO DE JANEIRO

Durante sua juventude, o príncipe herdeiro Dom Pedro de Alcântara demonstrou grande interesse por atividades físicas. Ele adorava praticar esportes como natação, escalada e principalmente montaria.

O professor João Damby ensinou o menino a adestrar cavalos e o Professor Joaquim Carvalho ensinou a arte da equitação.

Pedro em 1809, por Francesco Bartolozzi

Ao lado de seu irmão Dom Miguel, Pedro praticava diariamente a cavalgada, os dois faziam grandes corridas a cavalo pelas matas cariocas. Eles adoravam praticar atividades ao ar livre, para os príncipes não importava o horário nem se estava chovendo, saíam para cavalgar a qualquer momento.

O futuro imperador do Brasil era um notável cavaleiro, afeito a velocidade, muitos são os relatos no qual dizem que o príncipe Dom Pedro e seu amigo inseparável Chalaça eram os cavaleiros mais velozes e habilidosos do Rio de Janeiro.

Entretanto o príncipe sofreu diversas quedas em sua vida, em um desses acidentes, Dom Pedro I tombou uma carruagem de quatro cavalos na qual conduzia a toda velocidade nas ruas cariocas.

Dom Pedro de Alcântara era um rapaz muito ousado e aventureiro, relatos afirmam que ele foi a primeira pessoa a chegar no cume do corcovado.

Essa paixão pela velocidade ele compartilharia futuramente com a arquiduquesa austríaca Leopoldina, que também amava praticar atividades físicas. Depois de casados Dom Pedro I e Dona Leopoldina saiam duas vezes ao dia para cavalgar, a primeira oito horas da manhã e a segunda quatro horas da tarde. Eles faziam corridas e caças juntos diariamente.

Dom Pedro e Dona Leopoldina em um passeio, por Sabrina Ribeiro

Aos 19 anos de idade, uma ocasião marcou a vida do príncipe, os nobres que cercavam seu pai, o Rei Dom João VI faziam de tudo para manter o filho longe do pai e dos assuntos do governo. Os cortesãos armavam intrigas entre o rei e o príncipe constantemente, isso abalava a relação entre pai e filho, mas mesmo assim o príncipe nutria um grande amor e por seu pai.

Contam que Dom Pedro I teria conseguido com muito esforço amansar um cavalo selvagem para dar de presente ao pai Dom João, os cortesãos que rodeavam o rei disseram que isso era um truque, que na verdade Dom Pedro I queria que seu pai sofresse uma queda do cavalo. Tudo isso era mais uma mentira inventada pelos nobres, para afastar o rei do príncipe herdeiro. Dom Pedro que havia passado o dia inteiro tentando adestrar o cavalo selvagem, ficou tão furioso com essa mentira inventada a seu respeito, que montou no cavalo e saiu a toda velocidade gritando para todos que se seu a pai não aceitasse o presente ele daria um fim a vida do animal. Não sabemos o que aconteceu depois disso.

Rei Dom João VI e seu filho, o Príncipe Dom Pedro I, por Debret

No dia 26 de fevereiro de 1821, tentando resolver problemas políticos Dom Pedro deu três viagens entre a o Teatro e a Quinta da Boa Vista, totalizando 30 quilômetros em apenas um dia. O povo e a corte ficaram impressionados com a habilidade do príncipe nesse episódio.

Durante a viagem que culminou a Independência do Brasil em 1822, Dom Pedro fez uma longa viagem até São Paulo, onde vários relatos afirmam sobre destemido cavaleiro. Em um dos relatos, dizem que as quatro e meia da tarde, do dia 7 de setembro Dom Pedro partiu montado em uma besta a todo galope em direção a São Paulo. Os vigias que estavam no alto da torre da igreja da Boa Morte se assustaram ao ver o príncipe a toda velocidade e levantando poeira ao passar, muito a frente de sua comitiva que ficara para trás.

Muitos riem da possibilidade de Dom Pedro estar montado em uma “mula”, “besta baia gateada”, “égua possante gateada” ou “bela besta baia” quando proclamou a independência do Brasil, mas o que essas pessoas não sabem é a importância desse animal no início do século XIX. As mulas eram extremamente caras naquela época, por causa da força que possuíam para subir e descer a serra do mar, elas eram essenciais para essa jornada. Geralmente, as pessoas trocavam os animais ao entrar na vila de São Paulo, então pode ser que Dom Pedro I tenha trocado a mula por um cavalo na chácara de João de Castro antes de proclamar a independência. Seja como for, as mulas eram animais de extrema importância naquela época.

Mula: animal extremamente forte e importante para o século XIX.

Uma escravizada chamada Lucrécia Cananeia Galvão, na época com 9 anos relatou sobre a cena que viu:

“Ele chegou a cavalo, acompanhado de muitos moços e trazia a sua roupa com um pouco de barro da estrada […] [ele era] um moço bonito, de olhar olhar alegre e de barbas “suíças”. Quando apeou do cavalo, então, causada admiração. Alto, elegante e sem luxo.”

Depoimento de Lucrécia Cananeia Galvão em 23 de dezembro de 1934
Dom Pedro I – Imperador do Brasil (Jean-Baptist Debret)

Após proclamar a Independência do Brasil nas margens do rio Ipiranga no dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I voltou para o Rio de Janeiro. No caminho decidiu apostar uma corrida com seus amigos e guardas que acompanhavam. Partiram no dia 9 de setembro, a viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro levava geralmente 8 dias para ser concluída, o Imperador Dom Pedro I fez o percurso em meio ao frio, chuvas e barro em apenas cinco dias. Dom Pedro ganhou a corrida, seu amigo Chalaça chegou em segundo lugar horas depois.

Condições de compartilhamento: Permitimos o compartilhamento do texto, ou parte dele, desde que cite a fonte desta forma:
RIBEIRO, Sabrina. Dom Pedro I – O cavaleiro mais veloz do Rio de Janeiro. Canal Apaixonados por História – Professora Sabrina Ribeiro, São Paulo, 11 de setembro de 2020. Disponível em:
https://apaixonadosporhistoriacanal.com/2020/09/11/dom-pedro-i-o-cavaleiro-mais-veloz-do-rio-de-janeiro/

No dia 30 de junho de 1823 Dom Pedro sofreu um grande acidente de cavalo, possivelmente o maior acidente de sua vida, o imperador estava vindo da chácara do Macaco, quando por volta das seis horas da tarde:

“[…] ao chegar à ladeira perto do paço de S. Cristóvão, como corresse o selim tanto a garupa do cavalo em que vinha, pela razão de estarem as silhas traseiras mui largas, que estas ficaram nas virilhas do animal, que se corcoveava e desabridamente corris, Sua Majestade Imperial, receando resvalar juntamente com o selim e ser, em consequência, maltratado pelos muitos e violentos coices, sobretudo faltando-lhe o apoio da crina por se ter esta arrebentado e à qual lançara a mão, tomou a resolução de deitar-se abaixo, o que fez para o lado esquerdo.

Depois de uma queda tão considerada, batendo com as costas em cheio sobre barro duro, não obstante levar de encontro o braço esquerdo […] soldados do telégrafo, que logo o acudiram e seguraram até que chegou Sua Majestade, a Imperatriz, acompanhada de seu criado, que ajudaram Sua Majestade Imperial a recolher-se ao paço […] subiu a escada […], seguro tão somente a uma bengala, como observei, quando vi […].”

Dr. Domingo Ribeiro Guimarães Peixoto (Cirurgião da Imperial Câmara)

Nessa violenta queda, Dom Pedro contundiu a clavícula esquerda, o quadril e duas costelas. Dona Leopoldina ficou tão preocupada com seu marido que fez uma um voto, católica fervorosa como era, pediu para que Nossa Senhora intercedesse pela vida do marido, após a rápida melhora do Imperador, a Imperatriz encomendou um ex-voto em agradecimento a recuperação de Dom Pedro após a queda de cavalo.

Ex-voto que D. Leopoldina encomendou, por Taunay – Museu da Imperial Ordem de Nossa Senhora da Glória do Outeiro

No dia 25 de maio de 1823, ao ficar sabendo do nascimento de uma filha de Dom Pedro com Domitila de Castro, Felício o ex-marido abusador de Domitila escreveu uma carta maldizendo a amante do Imperador e sua filhinha bastarda que acabara de nascer. Impulsivo do jeito que era, Dom Pedro montou em seu cavalo e saiu a toda carreira em direção a feitoria onde Felício trabalhava em Marapicu, distante cerca de 56 km. Dom Pedro fez questão de ir lá só para dar um tapa na cara de Felício e voltar para a Quinta da Boa Vista. O Imperador foi e voltou da feitoria de Periperi, totalizando 112 quilômetros em apenas um dia.

No dia 7 de dezembro de 1829, o imperador que agora já estava casado com Dona Amélia de Leuchtenberg, sofreu outro acidente, dizem que Dom Pedro vinha conduzindo uma carruagem a toda velocidade, quando o veículo capotou na Rua do Lavradio. O Imperador foi arremessado da carruagem e caiu inconsciente. O duque de Santa Cruz, Augusto irmão de Amélia quebrou o antebraço direito, Dona Maria da Glória, Rainha Maria II de Portugal bateu a cabeça, a Imperatriz Amélia e sua dama sofreram alguns arranhões.

Augusto de Beauharnais, por G. Dury, Rainha Maria II, por Zephaniah Bell/ Joannes Paulus e a Imperatriz Amélia, por Friedrich Durck.

Sobre a queda o Barão de Inhomirim, médico imperial escreveu:

“[…] no ato da queda, que foi sobre o lado direito, perdeu os sentidos por espaço de cinco minutos, voltou a si, e posto em repouso, reconheu-se que tinha fraturado a sétima costela verdadeira no seu terço posterior, e a sexta no seu terço anterior, uma ligeira contusão sobre a fronte, e alguma distensão no quarto direito.”

Dr. Vicente Navarro de Andrade, Barão de Inhomirim.

O acidente foi tão traumático, que o Imperador teve que ficar hospedado na casa do marquês de Cantagalo, na mesma rua onde aconteceu o acidente até 1830, quando se recuperou e pode voltar ao Palácio de São Cristóvão.

No final de sua vida, ao adoecer por conta de uma tuberculose, Dom Pedro afirmou que teria levado 36 grandes quedas de cavalo. Apesar disso, todos relatos afirmam que o Imperador era um inigualável e destemido cavaleiro.

ASSISTA O VÍDEO NO CANAL APAIXONADOS POR HISTÓRIA:

FONTES & LIVROS: Titília e o Demonão: cartas inéditas de D. Pedro I à Marquesa de Santos. Autor: Paulo Rezzutti. Editora: Leya

D. Pedro – A história não contada. Autor: Paulo Rezzuti. Editora: Leya

Por Apaixonados por História - Professora Sabrina Ribeiro

O Canal Apaixonados por História foi criado no dia 11 de janeiro de 2020 pela historiadora, pesquisadora e Professora Sabrina Ribeiro.

O principal objetivo do canal é transmitir a fascinante história do Brasil a todos que são apaixonados por história assim como eu.
Todos os vídeos do canal são produzidos e baseados em fontes e livros que são colocados na descrição dos vídeos.
Nosso objetivo é informar a todos sobre histórias que não aprendemos ou aprendemos muito pouco na escola e no Ensino Médio.
Não defendemos ideologias ou partidos políticos.O canal tem um posicionamento neutro sobre esses assuntos. Nosso foco é informar a História.
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