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História do Brasil

UMA TRISTE HISTÓRIA DE AMOR – PRINCESA MARIA AMÉLIA, MAXIMILIANO E PRINCESA CHARLOTE

Nesse vídeo contaremos toda a trágica história de amor que envolveu a Princesa Maria Amélia do Brasil, o Arquiduque Maximiliano da Áustria e a Princesa Charlotte da Bélgica.

A Princesa Maria Amélia de Bragança era a filha única da antiga Imperatriz Dona Amélia e do falecido Imperador Dom Pedro I. A princesa era neta da Duquesa Augusta da Baviera e bisneta do Rei Maximiliano I José da Baviera.

O Arquiduque Maximiliano era filho do Arquiduque Francisco Carlos da Áustria e da Arquiduquesa Sofia da Baviera. Ele era neto do Rei Maximiliano I José da Baviera, sendo assim Augusta e Sofia eram irmãs, com isso concluímos que a Princesa Maria Amélia e o Arquiduque Maximiliano eram primos. Além disso, o pai de Maximiliano, o Arquiduque Francisco Carlos era irmão da Imperatriz Leopoldina do Brasil, dessa forma Maximiliano era sobrinho de Dona Leopoldina.

Se formos estudar a fundo a genealogia das casas dinásticas chegaremos a conclusão que quase todos são primos ou no mínimo parentes.

Aos três anos de idade a princesa Maria Amélia era capaz de falar fluentemente alemão, francês e português. Além disso era uma menina muito adorável e divertida.

Já o pequeno arquiduque Maximiliano sempre demonstrou ser um garoto alegre, carismático e capaz de cativar todas as pessoas ao seu redor. Desde cedo ele demonstrou interesse por cultura, artes, ciências e botânica.

Em 1838 durante uma reunião de família que ocorreu na beira de um lago chamado Tegernsee na Baviera, a Princesa Maria Amélia e o Arquiduque Maximiliano se conheceram, na época eles ainda eram crianças. Nesse dia os primos brincaram juntos e desenvolveram uma amizade muito bonita. A reunião de família era nada mais que um grande encontro para arranjar casamentos para a nova geração de herdeiros dos reinos da Saxônia, Áustria, Rússia, Prússia e Baviera. Foi nesse grande encontro que a Princesa Maria Amélia na época com 7 anos e o Arquiduque Maximiliano com apenas 6 foram prometidos em casamento.

Desde pequena o maior sonho da princesinha era visitar o Brasil para conhecer suas irmãs princesas e seu irmão preferido, o Imperador Dom Pedro II. Ela também sonhava em ter beija-flores como animais de estimação.

O maior sonho do pequeno arquiduque era construir uma casa com um lindo jardim na beira do mar.

Os anos passaram e depois disso os primos nunca mais se reencontraram. A Princesa Maria Amélia tornou-se uma moça de beleza única e notável inteligência. Era uma grande pianista e foi a primeira mulher a se formar em astronomia e física na Universidade de Munique. Para saber mais sobre esse assunto, assista o vídeo: A Princesa Brasileira Física e Astrônoma – Princesa Maria Amélia

Com o passar do tempo Maximiliano tornou-se marinheiro, profissão que exerceu por vários anos, vivento muito tempo em alto-mar. Ele entrou para o serviço da Marinha Imperial Austríaca onde alcançou altos postos de comando.

Em 1850 a Princesa Maria Amélia e sua mãe, Dona Amélia de Leuchtenberg que estavam morando em Munique mudaram-se para Portugal, passaram a residir no Palácio das Janelas Verdes.

Lá em 1852 mãe e filha receberam a visita do antigo amigo e primo. Quando o arquiduque olhou a princesa foi amor a primeira vista, pois após se reencontrarem Maria Amélia e Maximiliano se apaixonaram. Durante as duas semanas que ele esteve em Portugal, visitou a Imperatriz viúva e sua bela filha todos os dias.

Sobre o encontro com sua futura esposa e futura sogra, o arquiduque escreveu:

“A mais gentil e sem dúvida a mais espirituosa figura na corte portuguesa é de longe a imperatriz viúva Amélia, segunda esposa de Dom Pedro. Ela vive com sua gentil e muito adorada filha que é uma perfeita princesa como raramente se encontra”
O jovem casal apaixonado fizeram muitos passeios em Portugal, um deles foi na Residência de Verão dos Duques de Palmela no Paço do Lumiar, onde existia um lindo jardim por onde Maria Amélia e Maximiliano fizeram um passeio romântico, tudo isso acompanhado de perto pelas damas de companhia da princesa e pela Imperatriz Amélia que sempre estava de olho no casal. Nesse mesmo dia eles tiveram certeza que queriam se casar, entretanto três entraves impediam a união entre a Princesa brasileira e o Arquiduque austríaco.

1º Maximiliano só poderia anunciar um noivado depois que seu irmão anunciasse primeiro, ou seja, ele só poderia se casar depois que seu irmão mais velho se casasse primeiro.

2º A Princesa Maria Amélia não tinha um dote para dar ao seu futuro noivo.

3º A Princesa Maria Amélia estava com a saúde fragilizada desde o início de 1852, haviam suspeitas que sua doença tivesse evoluído para uma tuberculose.

Devido os problemas apresentados o casal decidiu fazer um noivado secreto durante o encontro romântico nos jardins do Lumiar. A duquesa Dona Amélia de Leuchtenberg ficou muito feliz com a futura união do casal, a família fazia muito gosto pelo casamento.

Os noivos fizeram muitos planos, como construir um palácio na beira do mar com um belo jardim com beija-flores e passarem juntos sua lua de mel no Brasil, visitando os parentes que a princesa tanto sonhava conhecer.

Porém a felicidade do casal durou pouco, pois antes que o casamento pudesse se realizar a Princesa teve uma grave piora. Em busca do restabelecimento de sua saúde, Maria Amélia foi levada para o clima mais quente da ilha da Madeira, o Funchal chegando lá no dia 30 de agosto de 1852.

Pelas anotações do diário de Maximiliano, parece que ele visitou a amada noiva adoecida no Funchal. Maria Amélia viveu por 6 meses na Ilha, mas nada adiantou e ela acabou falecendo no dia 4 de fevereiro de 1853. Foi sepultada no Panteão dos Bragança, em Portugal.

Após a morte da Princesa Maria Amélia, sua mãe a Imperatriz viúva Amélia de Leuchtenberg legou suas propriedades na Baviera para o arquiduque Maximiliano, “a quem [ela] ficaria feliz em ter como genro, se Deus tivesse conservado sua amada filha Maria Amélia”.

Com a morte de sua amada noiva o arquiduque Maximiliano demonstrou por muito tempo estar assombrado. Nas anotações em seu diário ele escreveu diversas frases que lembravam a trágica morte da Princesa Maria Amélia, como por exemplo:

“Na lua pálida o meu amor mora”

“O meu amor estava num estreito caixão”

“Uma menina jazia no caixão, tão pálida e maravilhosa”

“Meu amor me apareceu de noite em um sonho”

Por longos anos Maximiliano chorou a perda de sua amada, de luto ele passou a usar um anel que continha um cacho de cabelo de sua futura esposa falecida.

Três anos após a morte de Maria Amélia, Maximiliano recebeu um ultimato de seu irmão mais velho que o aconselhou dizendo que ele precisa superar essa perda, seguir em frente, casar-se com outra princesa e ter filhos. Só em 1856, depois de uma entrevista com a princesa Charlotte da Bélgica, é que ele considerou novamente tal hipótese de casamento.

Nessa altura o irmão de Maximiliano, o Imperador Francisco José já tinha se casado com a famosa Imperatriz Sissi.

Maximiliano concordou com o casamento, mas antes de anunciar o noivado ele pediu permissão a sua família para ir a Portugal visitar a Imperatriz viúva Dona Amélia para solicitar a aprovação de seu casamento com outra princesa, já que ele era prometido desde a infância. Dona Amélia não hesitou e ficou muito feliz com o possível casamento entre Maximiliano e a Princesa Charlote. A Duquesa deseja muitas felicitações ao casal.

Nesse período o Arquiduque deu início ao seu grande sonho de infância, a construção de um castelo na beira do mar com um lindo jardim, mas mesmo depois de noivo, ele não conseguia superar a perda da Princesa brasileira e continuava pensando na falecida noiva.

No dia 27 de julho de 1857 Maximiliano casou-se com a Princesa Charlotte, filha do Rei Leopoldo I da Bélgica. O casamento, contudo, só ocorreu por interesses econômicos, pois Max precisava urgentemente de dinheiro para pagar suas dívidas da construção do Castelo de Miramare na costa do mar Adriático. Para isso, ele utilizou o dote da Princesa Charlotte que mesmo assim demonstrava ser apaixonada por seu marido.

Com pouco tempo de casados Maximiliano decidiu fazer uma viagem com sua esposa, foram para a Ilha da Madeira, onde ficam por duas semanas. Em memória da Princesa Maria Amélia, ele decidiu fazer uma peregrinação por todos os lugares que sua saudosa noiva passou, como a casa onde ela faleceu e o Hospital que a Imperatriz Amélia mandou construir.

Em seu diário Maximiliano escreveu:

“Sete anos atrás eu acordava para a vida e caminhava alegremente em direção ao futuro, mas morreu aqui, de tuberculose, a 4 de fevereiro de 1853, a única filha da Imperatriz do Brasil, uma criatura perfeita. Ela deixou este mundo imperfeito, pura como um anjo que retorna ao Céu, sua verdadeira pátria.”

Em homenagem a falecida princesa o Arquiduque decidiu assumir as despesas de dois pacientes tuberculosos por ano, além disso ele doou uma santa chamada Nossa Senhora das Dores para a capela do Hospital fundado pela Duquesa Amélia de Leuchtenberg.

Ao visitar a Quinta das Angústias, local onde a bela princesa faleceu, o arquiduque escreveu:

“Depois de visitar o hospital que a mãe desolada fundou, em memória da filha, fui mais adiante rever a casa onde aquele anjo partiu deste mundo, deixando saudades imensas.”

“Por muito tempo fiquei em silêncio entre pensamentos de dor e saudade sob a sombra de uma árvore magnífica que envolve e protege a casa onde o anjo, tão amargamente chorado, deixou de existir”. 

Ainda em companhia de sua esposa a Princesa Charlotte Maximiliano continuava sua peregrinação em memória de seu antigo amor e escrevia:

“Revejo com tristeza o vale de Machico e a amável Santa Cruz, onde há sete anos passados, nós vivemos momentos tão doces … sete anos cheios de alegrias e tristezas, fecundos em provações e desilusões amargas. Fiel à minha palavra, volto a procurar sobre as ondas do Oceano a paz que a Europa vacilante já não pode dar à minha alma agitada. Ao comparar as duas épocas, sinto-me invadido por profunda melancolia. Há sete anos passados, eu despertava para a vida, encarando alegremente o futuro; hoje, sinto-me exausto, pesa-me sobre os ombros o fardo de um passado amargo…

Não sabemos qual foi a reação da Princesa Charlotte perante o coração partido de seu marido que só pensava e falava em sua falecida noiva.

Os comentários sombrios e melancólicos de Max não paravam, ao que ele escreveu:

“… aqui se extinguiu uma vida que parecia fadada a garantir a tranquila felicidade da minha”.

Deixando a Princesa Charlote para trás na Ilha da Madeira, Maximiliano tomou uma atitude drástica, decidiu viajar para o Brasil. Como pretexto disse para a Princesa Charlotte, disse que iria ao país tropical para coletar flores, sementes e animais para seu jardim em Miramar, mas na verdade essa viagem seria feita na Lua de Mel com a Princesa Maria Amélia.

Desembarcou na Bahia em janeiro de 1860, seguiu para Ilhéus depois foi para o Rio de Janeiro, onde conheceu a Princesa Isabel e sua irmã Leopoldina a neta. Ainda na capital imperial ele visitou o túmulo de sua tia a Imperatriz Maria Leopoldina de Habsburgo-Lorena.

Depois disso, Maximiliano seguiu para o Espírito Santo onde finalmente encontrou Dom Pedro II, o amado irmão que a Princesa tanto sonhava conhecer.

A viagem ao Brasil durou cerca de três meses. Enquanto isso a Princesa Charlotte ficou praticamente sozinha no Funchal, onde não se referiu em nenhum momento sobre a viagem. Com a peregrinação concluída nos lugares onde sua noiva falecida sonhava conhecer ele voltou a Europa, junto as suas bagagens, lotadas de sementes e plantas o Arquiduque Maximiliano trouxe consigo beija-flores, os pequenos e delicados pássaros que a Princesa Maria Amélia tanto falava na infância.

O tempo passou, Maximiliano e Charlotte se sentiam frustrados como monarcas, eles não exerciam nenhum papel de destaque em Trieste, e como jovens ansiosos eles desejavam governar ou comandar alguma nação, pois ambos haviam sido treinados para reinar durante a infância.

No ano de 1860 o Castelo e os Jardins de Miramar finalmente ficaram prontos, lá o casal viveu durante três anos, não sabemos o motivo, mas a Princesa Charlotte e o Arquiduque Maximiliano não tiveram filhos. Frustrado por ser um mero arquiduque sem país o jovem caiu em uma depressão profunda.

Em 1863 o casal recebeu uma grande proposta do Imperador Napoleão III, que os convidou para serem Imperadores do México. Maximiliano ficou muito animado com a ideia, mas disse que só se tornaria soberano da nação mexicana se o povo assim desejasse. Napoleão III mentiu e afirmou ao jovem casal que o povo mexicano desejava ter um Imperador e uma Imperatriz.

Mas a verdade era que o México já tinha um governante, o Presidente Benito Juaréz que havia deixado de pagar os grandes impostos que o México era obrigado a pagar a vários reinos europeus. A França para tentar conseguir de alguma forma o dinheiro colocou Maximiliano como Imperador e em troca ele pagaria tais impostos chamados moratoria.

Com uma grande ilusão criada por Napoleão III o agora então Imperador Maximiliano do México seguiu em direção a América para governar sua nova pátria junto a sua esposa a Princesa Charlotte, que acabou mudando seu nome para Carlota uma forma de se aproximar do povo mexicano.

Ninguém havia contado a Carlota ou Maximiliano, mas sua aceitação da coroa mexicana significava que ele teria que abrir mão de todos os seus direitos à nobreza na Áustria. O jovem casal só descobriu essa troca amarga quando estavam prestes a partir. 

Ao chegar no México o Imperador Maximiliano e a Imperatriz Carlota foram recebidos por uma grande nobreza que apoiava a monarquia mexicana, entretanto essa nobreza não representava o povo que em sua maioria apoiavam a república e consequentemente o Presidente Benito Juaréz.

O jovem casal estabeleceu residência no luxuoso Castelo de Chapultepec na Cidade do México e realizando uma coroação bombástica para si próprios na Catedral Metropolitana. Foi uma época feliz no início. Como não tinham filhos, eles acabaram adotando dois meninos em 1865 chamados Augstin e Salvador de Iturbide.

Maximiliano via o Império Brasileiro como maior inspiração e modelo de governo nos trópicos, o imperador afirmava: “[O Brasil]desperta a inveja do Novo Mundo”

Ele chamava Dom Pedro II de irmão e em carta afirmava:

O Imperador Maximiliano acabou pagando a moratória a França e depois disso, tudo começou a dar errado, Max acabou perdendo o apoio da nobreza e não conseguia de forma alguma se aproximar do povo mexicano.

Logo a Imperatriz Carlota e o Imperador Maximiliano sofreram um grande golpe, pois a França retirou suas tropas do México, os deixando praticamente sozinhos, sem segurança e sem apoio no continente americano. Além disso os Estados Unidos da América não queriam que um monarca europeu governasse alguma nação americana, eles passaram a apoiar o Presidente Benito Juaréz em derrubar a monarquia no México.

A Imperatriz Carlota percebendo toda essa movimentação no Império Mexicano realizou o primeiro de seus muitos atos desesperados, ela fugiu para a Europa, levando consigo joias, quadros, roupas, cartas e diários. Na França ela tentou marcar audiências com o Imperador Napoleão III que passou ignorá-la. Nesse momento a Imperatriz começou a ter repentinas crises de personalidade e momentos de inconsciência.

Depois de ficar sabendo que a imperatriz estava na cidade, Napoleão III inventou uma desculpa, ele enviou um telegrama alegando uma doença horrível e pedindo para que Carlota ficasse o mais longe possível. Essa grande mentira não impediu a jovem imperatriz e ela reservou um quarto no luxuoso Grand Hotel em Paris forçando Napoleão a apresentar uma nova defesa. Em vez de ir pessoalmente ao hotel, Napoleão mandou a sua mulher Eugénie de Montijo (Montírrô) para falar com a Imperatriz, tentando convencê-la a desistir e aceitar o seu triste destino. 

Carlota não deixou ser intimidada e exigiu falar pessoalmente com Napoleão. Milagrosamente ela conseguiu marcar três audiências com o monarca, mas todas foram com respostas negativas. Em certo ponto da conversa a Imperatriz Carlota até se jogou de sua cadeira chorando como uma criança e soluçando por horas, à beira da loucura.

Totalmente desolada, Charlotte ficou dois dias sem sair do quarto do hotel e se recusou a comer, com medo de que “espiões” estivessem atrás dela.

Sem saída ela tentou de todas as formas salvar a vida de seu marido e restabelecer seu Império no México, mas diante dessa dura verdade, uma mudança começou a ocorrer na Imperatriz. Ela falava palavras desconexas e fazia discursos longos cheios de inocências.

Tudo ia de mal a pior até que o Imperador Maximiliano foi preso, ficando por um mês em Santiago de Querétaro um lugar distante da capital. Poucas horas antes de ser assassinado, Maximiliano se confessou com o padre e conversou com seu médico, nesse momento ele tirou um colar com a imagem da Santíssima Virgem Maria que carregava consigo e pediu que o médico entregasse esse colar a antiga Imperatriz Dona Amélia de Leuchtenberg, pois seus últimos pensamentos ainda eram em sua filha a Princesa Maria Amélia, nesse mesmo fatídico dia 19 de junho de 1867 o Imperador acabou sendo fuzilado. Ele deu algumas moedas de ouro aos soldados republicanos, pedindo em troca que não atirassem em seu rosto, para que sua mãe o pudesse reconhecer. Junto a Maximiliano morreram também seus dois grandes amigos e apoiadores os Generais Tomás Mejía e Miguel Miramón.

Dizem que antes de ser fuzilado, o Imperador Maximiliano disse:“-Eu perdôo a todos e peço a todos que me perdoem. Que o meu sangue que está para ser derramado seja para o bem do país. Viva Mexico, viva a independencia! ”

Em seguida murmurou: “-Pobre Charlote!”

Depois de uma morte tão violenta e repentina o governo republicado mandou embalsamar de forma mal feita o corpo do ex-imperador. O presidente do México não autorizou a liberação do corpo para a Europa sem um pedido oficial da família Habsburgo-Lorena. Se o imperador Franz Joseph tivesse redigido esta carta com o pedido ao Presidente Benito Juaréz, ele estaria automaticamente reconhecendo a República Mexicana como nova forma de governo. E então começou uma briga política pelo reconhecimento da República Mexicana e pelo corpo de Maximiliano.

Enquanto isso a Imperatriz Carlota decidiu recorrer a última pessoa na face da terra que poderia lhe ajudar, ela foi até Roma implorar o apoio do Papa Pio IX, chegando lá em uma tarde fria, Carlota já demonstrava não estar nada bem de saúde psicológica. O papa de início evitou receber a Imperatriz mexicana, a monarca disse então que seria capaz de dormir uma noite na porta do Vaticano sob o chão frio. O papa assustado com a atitude da Princesa deu a ela um dos aposentos do palácio onde Charlotte dormiu por uma noite, depois de muita insistência ela conseguiu uma audiência com o papa. Infelizmente o líder religioso disse que “iria orar pela alma de Max” e que não poderia fazer nada pela causa da Imperatriz. Ao ouvir tais palavras ela entrou em colapso nervoso instantaneamente.

Ela passou a suspeitar que todos a sua volta estavam a espionando e tentando envenená-la. Não temos certeza se isso é verdade, mas relatos afirmam que a imperatriz Carlota roubou uma taça de ouro no Vaticano, que passou a usar pra beber água das fontes que encontrava nas ruas, pois não confiava em ninguém e acreditava fielmente que espiões queriam envenená-la.

Nessa altura o Imperador Maximiliano já havia sido fuzilado no México e os médicos aconselharam a família da Imperatriz a não contar sobre o assassinato de seu amado marido. Ela passou a acreditar que Max ainda estava vivo e bem, a Imperatriz Carlota tinha muitas esperanças em voltar a América e salvar a vida do Imperador Maximiliano.

Por muitos anos a família de Charlotte escondeu a tragédia por conta de sua saúde mental frágil, dessa forma ela não sabia que estava viúva e que oficialmente não era mais uma Imperatriz.

Com muito esforço o corpo de Maximiliano foi enviado a Europa onde foi recebido por seu irmão, o Imperador Francisco José. 7 meses após após a morte, o caixão finalmente chegou a Viena. O corpo estava em um estado tão exorbitante que não se podia mais esperar pela mãe.

Enquanto isso a Imperatriz Carlota enviava cartas para seu marido, cartas essas que eram extraviadas e falsificadas com a respostas de Maximiliano dizendo que estava bem. Com o passar do tempo e Imperatriz começou a recuperar sua saúde mental, e então os médicos e a família decidiram contar para ela toda a verdade sobre o fuzilamento do Imperador Maximiliano do México. Nesse momento a Imperatriz Carlota enlouqueceu subitamente e nunca mais recuperou sua saúde mental.

Sabemos que ela obsessivamente guardou todos os pertences de Maximiliano até o fim de sua vida. Embora muitos atribuam isso ao estresse emocional que ela sofreu, o Psiquiatra Josef Gottfried (Gótfríd)von Riedl (Readow) a examinou e a diagnosticou como louca.

A Princesa Belga viveu por 60 anos reclusa no Castelo de Bouchout (Bullxô), onde acabou falecendo no dia  19 de janeiro de 1927.

A Princesa Maria Amélia nasceu em 1831 e faleceu vítima de tuberculose aos 21 anos em 1853.

O Imperador Maximiliano do México nasceu em 1832 e foi assassinado aos 35 anos em 1867.

A Imperatriz Carlota do México nasceu em 1840 e faleceu completamente louca aos 86 anos em 1927.

PÁGINA 127 – UMA FILHA DE DOM PEDRO I VIAGEM DE MAX AO BRASIL

FONTES, VÍDEOS & LIVROS:

A Lost Love – Arquiduque Maximilian e Princesa Maria Amélia: Disponível no link abaixo:

Factinate – Fatos incríveis sobre a Princesa Charlotte, a última Imperatriz do México. Disponível no link abaixo:

Uma filha de Dom Pedro I: Dona Maria Amélia. Autora: Silvia Lacerda Martins de Almeida. Disponível em: https://docplayer.com.br/122853177-Uma-filha-de-il-pedro-i-dona-maria-amelia-lvia-lacerda-martins-de-almeida-brasiliana-volume-354.html

Sr. Majestät des kaisers von Mexiko. Maximilian i reise nach brasilien 1859 – 1850. Disponível em: https://archive.org/search.php?query=subject%3A%22Maximilian%2C%20Emperor%20of%20Mexico%2C%201832-1867%22

PDF: Unglückliche Liebe zu Amalia von Braganza. Disponível em: https://www.zobodat.at/pdf/KATOOENF_0061_0003-0153.pdf

Genne Maximilian of Mexico. Disponível em: https://geneee.org/maximilian/von+mexiko?lang=de

FindArt. Maximilian von Mexiko Der Traum vom Herrschen. Disponível em: https://www.altertuemliches.at/termine/ausstellung/maximilian-mexiko-25348?page=2&title=Hofmobiliendepot%3A%20Maximilian%20Mexiko.%20Der%20Traum%20vom%20Herrschen.%20Leidenschaft%20f%C3%BCr%20B%C3%BCcher%2C%20Kunst%2C%20Reisen%2C%20Natur%20und%20Architektur%20ist%20weniger%20bekannt.

Botanische Ergebnisse der Reise Seiner Majestat des Kaisers von Mexico Maximilian I. nach Brasilien (1859-60). Disponível em: https://www.worldcat.org/title/botanische-ergebnisse-der-reise-seiner-majestat-des-kaisers-von-mexico-maximilian-i-nach-brasilien-1859-60/oclc/5770239

Botanische Ergebnisse der Reise Seiner Majestät des Kaisers von Mexico Maximilian I. nach Brasilien: 1859 – 1860 (German Edition). Disponível em: https://www.amazon.com/Botanische-Ergebnisse-Majestat-Maximilian-Brasilien/dp/3742860852

Der immer noch sterbende Kaiser. Maximilian von Mexico, ausgestellt. Disponível em: https://museologien.blogspot.com/2013/03/der-immer-noch-sterbende-kaiser.html

VÍDEO: Uma tragédia mexicana: Maximiliano e Maria Amélia, por Claudia Witte – Canal Paulo Rezzutti. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=OuqzUyYqVAw&t=1326s

Erzherzog Ferdinand Maximilian später Kaiser von Mexiko, Original-Holzstich 1867. Disponível em: https://picclick.de/Erzherzog-Ferdinand-Maximilian-sp%C3%A4ter-Kaiser-von-Mexiko-Original-Holzstich-253450770049.html

Facebook: Mythos Kaiserin Elisabeth. Disponível em: https://ar-ar.facebook.com/180917432473281/posts/wir-gedenken-heute-dem-151-todestag-von-erzherzog-ferdinand-maximilian-joseph-ma/259667617931595/

Blaues Blut in Seeon. Das Herzoggeschlecht Leuchtenberg. Disponível em: https://www.kloster-seeon.de/der-adel-in-seeon

Por Apaixonados por História - Professora Sabrina Ribeiro

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