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História do Brasil

A MORTE DA PRINCESA MARIA AMÉLIA (DETALHADO)

Nesse vídeo contaremos todos os detalhes da morte da Princesa Maria Amélia de Bragança, filha única da Imperatriz Dona Amélia de Leuchtenberg e do Imperador Dom Pedro I do Brasil.

No inicio do outono de 1851, Dona Amélia de Leuchtenberg e sua filha única a Princesa Maria Amélia seguiram como de costume para um sítio localizado em Caxias em Portugal , onde todos os anos mãe e filha tomavam banho de mar. Depois de um passeio tão divertido a jovem princesa na época com 19 anos foi acometida por uma febre intermitente, que a deixou muito abatida, mas que conseguiu se recuperar rapidamente.

Alguns meses depois houve um pequeno surto de moléstias pulmonares nas redondezas do Paço das Janelas Verdes, vitimando algumas pessoas. Nessa época a princesa flor foi atacada por uma febre escarlatina seguida por uma violenta inflamação na garganta.

Algum tempo depois, chegou no Paço das Necessidades uma alarmante notícia de que a Princesa estava gravemente enferma e que tinha pedido no dia 2 de julho os sacramentos em viático. O perigo entretanto havia passado, mas os médicos aconselhavam que ela fosse passar o inverno na ilha da Madeira.

Passado tempo, a princesa sentiu por duas vezes, a primeira em casa e a segunda em um passeio no Paço das Necessidades um resfriamento, que a fez desmaiar. Em busca de ares melhores os médicos aconselharam a mãe viúva procurasse uma casa de campo, ao que foi lhe oferecido por um rico proprietário uma bela casa situada no Calhariz de Benfica.

Em uma carta enviada ao Brasil, a Princesa Maria Amélia escreveu ao seu irmão preferido, o Imperador Dom Pedro II:

Meu querido Mano Pedro
É com muita pena que soube que tinhas estado doente, e bein do coração agradeço a Deus o teu restabelecimento. Acho galante nós adoecer-mos no mesmo dia, tu com uma febre biliosa, eu com a escarlatina, e estou bem contente de tu não teres ficado tanto tempo de cama do que eu, pois só no 22 dia da escarlatina é que me levantei pela primeira vez; muito me aborreceu o estar sempre deitada sem poder ocupar-me de modo algum, porque, ainda algum tempo depois de estar já fora da cama, não me era permittido ler porque a molestia attaca muito os olhos, e é por esta razão que não te escrevi mais cedo. Agora estou outra vez boa, graças a Deus, só tenho ainda uma irritação na garganta[…]

Vi o teu retrato que mandaste á Mana Maria, o que muito prazer me fez, vê-se que deve ser parecido.[…] Adeus, meu querido Mano Pedro, não te escrevo mais por me faltar o tempo, mas peço te ficares bem lembrado desta tua Mana muito amiga Maria Amélia.

P.S. Tenho agora a cabeça rapada porque perdia muito cabello desde as intermitentes, e o serei mais duas vezes para dar força ao cabello, acho isto mui commodo, sobre tudo com o calor e os banhos de mar, e espero deste modo ter cabello, d’aqui a 3 annos.”

A princesa escreveu, a sua irmã mais velha, a Rainha Maria II no dia 6 de julho de 1852: “Deves ter ficado muito aflita, recebendo a carta […] estou viva ainda, graças a Deus, embora estivesse pronta a morrer, se tal fosse Sua santa vontade… Pensei não ter senão poucas horas de vida. Os Santos Sacramentos proporcionaram-me grande consolação e novas forças. Houve grande melhora no meu estado e eu senti que poderia adiar para o dia seguinte a carta de despedida que te queria enviar. A morte, vista de perto, nada tem de amedrontadora, e os Santos Sacramentos difundem na alma uma total resignação à vontade de Deus, uma força maravilhosa para deixar esta terra e nos conduzir à nossa pátria celeste.”

“Eu dou graças a Deus por me haver prolongado a vida. Agradeço ao Todo-Poderoso, efusivamente, por deixar-me ainda junto de minha boa e querida mãe. Que o santo nome de Deus seja louvado e bendito por toda a eternidade!”

“Não chores, ao ler esta carta. Eu estou melhor. E, para te convencer da sensível melhora que experimento no meu estado de saúde, eu te direi que escrevi estas linhas sem interrompê-las um só momento, e sem me sentir fatigada.”

“Adeus, e até breve, se Deus quiser!”

Nas cartas seguintes, a princesa relatava o estado de sua saúde cada vez mais debilitada, da tosse sem trégua que não a deixava repousar; e que cada dia tinha um acesso de febre.

“Como me aborrece ser obrigada a falar sempre de mim…”

“Nada pode melhorar no meu estado de saúde, antes da minha chegada à ilha da Madeira, para onde devemos ir; lá as febres desaparecem, dizem, como que por encanto.”

Em Lisboa e em Munique, faziam-se constantes novenas para obter por intercessão da Santa Mãe das Dores, a vida de uma princesa tão querida e amada por todos!

No dia 26 de agosto de 1852, uma fragata chamada Dom Fernando, chagava no porto para levar Maria Amélia a ilha da Madeira. O estado de saúde da jovem princesa era pouco positivo. Profundas emoções precederam sua partida de Lisboa. A seu insistente pedido, a rainha Dona Maria II, sua irmã por parte de pai, trouxe seus filhos para abraçarem a jovem tia; tristes pressentimentos pairavam sobre as melancólicas despedidas de família.

Abraçando sua sobrinha Maria Ana de Bragança, Maria Amélia deixou escapar estas palavras: “Não é verdade, Maria, tu não me esquecerás?!”

Antes de partir a Princesa já tão debilitada fez questão de arrumar seu quarto, ao que disse a uma de suas companheiras: -“Eu desejo que encontrem tudo em ordem” .

Chegada a hora da partida no dia 25 de agosto de 1852, a princesa despediu-se de todas as pessoas que vinham cumprimentá-la. Todos, com olhos rasos de água, acompanharam mãe e filha ao local do embarque. A jovem doente teve que ser carregada, tão fraca estava. Depois de se acomodar na elegante fragata, Maria Amélia pôs-se a admirar os belíssimos arranjos, especialmente colocados por sua mãe para que a travessia até a ilha fosse mais agradável. Reconhecendo as delicadas flores postas por sua mãe, Maria Amélia convidou as damas que estavam a bordo e mostrou-lhes todos esses encantadores detalhes de conforto e de luxo, inventados pela ternura materna. O rosto da jovem princesa, pareceu mais sereno. Ao som de uma música agradável a fragata partiu..

A travessia foi favorecida pelo vento. No dia 29, a embarcação achava-se nas imediações da ilha da Madeira. Mas um extenso nevoeiro escondia a ilha que não pôde ser reconhecida.

Um violento enjoo agravou os sofrimentos de Maria Amélia. No domingo, 30 de agosto, o céu apareceu claro e límpido e a fragata Dom Fernando pôde ancorar na baía do Funchal. O desembarque só foi feito no dia seguinte. O mar estava agitado e foi preciso transportar a princesa a um barco para levá-la a terra. As ondas balançavam o frágil batel. A Imperatriz aflita encontrava-se pronta para estender a mão à filha que já se achava na escada da fragata. Os dois comandantes amparavam-na, observando o momento em que o mar menos agitado lhes permitisse levá-la… Foi um momento de penosa expectativa. A ansiedade estava estampada no rosto da Imperatriz… Maria Amélia percebendo a situação, reuniu suas forças, e atirou-se nos braços de sua mãe.

A ilha da Madeira logo apareceu em todo o esplendor de sua beleza. A cidade demonstrava aspecto festivo, de eterna primavera. Toda a população, com as autoridades do Funchal à frente, vieram oferecer suas homenagens e votos a Princesa adoecida.

Todavia, a população não demonstrou uma alegria alarmante, pois estavam apreensivos pela saúde da jovem. A Princesa física e astrônoma foi acompanhada por uma multidão silenciosa até sua morada… seguida pela Imperatriz a pé e por numeroso cortejo. Nesse trajeto por ruas ornamentadas de flores, onde grinaldas das mais variadas cores decoravam as casas, a princesa percebeu mãos que lhe ofereciam ramalhetes, e pessoas que proferiam bênçãos e votos pelo seu restabelecimento. A jovem ficou profundamente emocionada. Belas inscrições foram colocadas sobre arcos do triunfo com frases desejando a cura da princesa.

Quando mãe e filha se acomodaram em seus aposentos, a alegria, muito tempo contida, estourou por toda a parte. A cidade foi iluminada. Fogueiras brilhavam sobre todas as montanhas circunvizinhas e projetavam sua radiosa claridade sobre a exuberante vegetação da ilha. A esperança exalava nas faces dos habitantes do Funchal. Eles acreditavam que seria no ar puro dos bosques que a princesa recuperaria sua preciosa saúde. As pessoas acreditavam que Deus faria um milagre e restabeleceria a saúde da filha única da Imperatriz viúva.

Maria Amélia estreou sua chegada no Funchal com a doação de uma fortuna ao hospital da cidade. Depois de alguns dias de repouso, a princesa fez seu primeiro passeio numa condução típica da região: um carro de bois. Esse meio de transporte, colaborou muito em seu estado de saúde. O ar puro e suave que ela respirava, proporcionou-lhe significativa melhora. Esses passeios repetiram-se muitas vezes e eram sempre ocasião de imenso prazer para a princesa.

As belíssimas paisagens da ilha encantavam cada dia mais a moça. Durante os passeios a princesa falava de seu maior sonho, que era justamente conhecer o Brasil, seus irmãos e a fascinante flora e fauna tropical.

Em certo dia, em que havia contemplado as montanhas basálticas da Madeira, cobertas por linda vegetação, a princesa exclamou com entusiasmo: “Se eu recuperar, um dia, minha robusta saúde de outrora, não é mamãe, nós ficaremos muito tempo nesta ilha. Faremos longos passeios nas montanhas, iremos descobrir novos caminhos, como nós fazíamos em Stein!”

Pouco tempo depois, os passeios de carro tiveram que ser substituídos por passeios em rede; tornou-se necessária essa mudança, devido a seu acentuado estado de fraqueza que progredia sempre. Essas excursões prolongaram-se até fins de novembro. O ar morno e perfumado da ilha já não conseguia aliviar os seus pulmões; acabava toda e qualquer esperança de cura. Seu organismo se enfraquecia, com exceção de sua grande inteligência e inalterável doçura. Quando, terminavam os passeios, os carregadores deixavam a princesa no salão e Maria Amélia dizia gentis palavras de agradecimento. Esses homens simples, sabendo o quanto a princesa apreciava flores, tinham sempre o cuidado de enfeitar a rede com os mais lindos ramalhetes.

A Princesa Maria Amélia passou a estudar botânica, hobby que talvez tenha sido influenciado por seu noivo, o Arquiduque Maximiliano que era um grande estudioso de ciências naturais. Para saber mais sobre essa trágica história de amor assista o vídeo: UMA TRISTE HISTÓRIA DE AMOR: MAXIMILIANO, PRINCESA MARIA AMÉLIA E CHARLOTTE (PARTE I)

O novo passatempo lhe proporcionou longas horas de repouso, onde estudava a flora da Ilha da Madeira sem se esforçar fisicamente.

No dia 27 de novembro 1852, ela pediu aos empregados encarregados de levá-la a passeio na rede, que prolongassem um pouco mais seu passeio. Indicou os lugares que desejava ver, as ruas que queria atravessar e pediu para passarem na orla da praia. Seu pedido foi atendido, a verdade era que Maria Amélia pressentiu que esse seria seu último passeio de rede.

O quarto da princesa brasileira foi decorado de forma para deixá-lo mais agradável. Lindos pássaros foram colocados, pois ela apreciava o canto. Ouvindo-os, Maria Amélia esquecia de sua infeliz doença.

A Princesa interessava-se muito pelos produtos da Ilha da Madeira. Todos os dias, vendedores ambulantes vinham lhe oferecer objetos curiosos, como caixas de costura, pequenos cofres de diversos formatos, com inscrições de madeira em diferentes cores; tecidos finos e delicadamente trabalhados, pedestais para lanternas, porta-agulhas e alfinetes e outras artesanatos da ilha. Maria Amélia não deixava passar um dia sem comprar um desses objetos para presentear as pessoas de seu círculo ou para enviar a seus amigos distantes. Certo dia em que tinha comprado mais do que o necessário, a princesa disse tristemente: “Desde que estou aqui, eu me permito muitas fantasias. Não sei se isto é razoável…” Maria Amélia reconhecida por sua generosidade tentava encorajar os vendedores ambulantes da Ilha da Madeira.

A doença dos pulmões que consumia sua vida, havia feito progressos fatais. A cada dia ela perdia peso. Suas atividades se tornavam mais limitadas e restritas.

Quando chegou ao Funchal o médico lhe havia permitido uma hora e quinze minutos por dia para dedicar-se ao piano de que ela gostava tanto; não para executar brilhantes peças como antes, mas para improvisar alguma doce melodia, ou para combinar alguns acordes melancólicos.

Passado algum tempo o médico achou melhor retirar o piano da rotina da princesa. O pincel e o lápis que Maria Amélia manejava com tanta habilidade e cujo desempenho tinha ocupado uma grande parte de seu tempo, foram proibidos. A leitura tornou-se cansativa; as cartas que escrevia eram interrompidas por angustiantes crises de tosse… O mal crescia dia a dia e Maria Amélia emagreceu muito. De seus dedos afilados caíam sucessivamente os anéis que usava em lembrança das pessoas que amava. Passando a usar apenas um anel.

A paciência e a resignação da moça jamais se abalaram; nada alterava sua serenidade, a não ser as lágrimas de sua querida mãe, ao que dizia: Desde o princípio, Maria Amélia não teve nenhuma ilusão sobre a gravidade de sua doença. Ela passava longas horas do dia meditando e orando a Deus.

No dia 8 de dezembro, após o término de uma novena, a Imperatriz viúva, visivelmente comovida pelo ato religioso, jogou-se nos braços da filha, dizendo: “Deus me concederá, eu espero, o que lhe pedi com tanto fervor… você se restabelecerá!… ” A jovem doente olhou para sua mãe e disse: “Eu gostaria bem que assim fosse, eu vos amo tanto!” Depois, enxugando as lágrimas de sua mãe, acrescentou: “Não falemos em assunto tão triste. Isto me faz sofrer muito”.

Na véspera do Natal, conforme o costume alemão, a princesa fez a distribuição dos presentes. Com a voz fraca e tremula a princesa dizia a cada um palavras sinceras e amáveis. Todos pressentiam um adeus em seu discurso.

Em fins de dezembro, Maria Amélia escreveu ao seu irmão, o Imperador do Brasil, à Rainha de Portugal e a suas outras irmãs, Princesa Januária e Princesa Francisca. Também escreveu a Princesa da Suécia e a muitas outras damas. Sua querida Ama, esta amiga tão dedicada e amada, não foi esquecida. Por essa época, a princesa ditou suas últimas vontades. Deixava lembranças a todas as pessoas que lhe eram queridas ou a quem queria recompensar por serviços que lhe haviam prestado. Pedia a sua mãe que distribuísse com os pobres todo o dinheiro que lhe sobrasse em caixa. Também pediu que seus restos mortais fossem enviados a Lisboa e depositados ao lado do túmulo de seu pai, o Imperador D. Pedro I do Brasil.

O ano de 1853 iniciou com uma triste mudança. O leito da princesinha teve de ser transferido para o Salão, onde a jovem doente poderia beneficiar-se dos raios do sol. Maria Amélia deixou com pesar o seu quarto, dizendo: “Eu não voltarei mais aqui.” A Imperatriz Amélia de Leuchtenberg procurou dispersar as tristes frases que sua filha falava, mas Maria Amélia insistia em dizer: que nunca mais se levantaria de seu leito: “Eu não me enganei ainda. Eu dizia, há três meses, que viria o tempo em que não mais poderia me levantar… Ei-lo chegado”. Lúcida ela acompanhava todas as fazes da doença. Poucos dias após sua mudança para o Salão, reclamou com o médico: “Minhas forças diminuem de dia para dia, eu o sinto… estamos chegando ao princípio do fim. Depois que mudei para o Salão, minha doença vai progredindo!” Temendo ter dito ao médico palavras agressivas que poderiam deixá-lo preocupado, logo a princesa acrescentou: “Não foi a mudança de quarto que me fez mal, oh! não, não! é a doença que faz rápidos progressos”.

Todas as vezes que passava mal, a princesa elogiava os cuidados apressados do médico.

No dia 20 de janeiro, recebeu uma carta muito afetuosa de sua irmã a rainha Maria II de Portugal. Terminada a leitura da carta, Maria Amélia disse: “Minha irmã Maria me quer muito bem; eu também a amo ternamente”.

A 27 de janeiro, Maria Amélia recebeu os santos sacramentos. Em meio aos enormes sofrimentos sua paciência não se abalava. As noites eram muito agitadas; a enferma não conseguia repousar, nem dormir um instante sequer. Sua aparência nada saudável era marcada por sua pele pálida e olheiras profundas.

No dia 3 de fevereiro, escolheu uma caixa de costura, embrulhou-a e escreveu em cima, a lápis: “Para minha prima Eugênia da Suécia”. Foram as últimas palavras que a princesa flor escreveu.

Maria Amélia passou mal o dia todo. À meia-noite o médico declarou que a Princesa estava em seus últimos momentos e que era tempo de receber a extrema-unção. A Imperatriz, revestida da sublime coragem que só Deus poderia lhe dar e conforme a promessa feita à filha, anunciou-lhe a sentença do médico. A enferma escutou essas palavras com firmeza de ânimo e pediu para se confessar. No momento em que a Imperatriz se afastava do leito para falar com o Vigário Geral, confessor da Princesa que se achava ali perto, Maria Amélia disse à sua camareira que chorava muito: “Não chores… seja feita a vontade de Deus; que Ele venha em meu auxílio na minha última hora; que Ele console minha pobre mãe!… “

Durante a confissão ela teve várias e terríveis sufocações seguidas por secreções de sangue. O Vigário Geral estava visivelmente comovido com a confissão tão humilde daquela alma. Maria Amélia pediu perdão à sua mãe dos aborrecimentos que lhe poderia ter dado… “Você me perdoa, sim, mamãe”, dizia frequentemente com irreprimível emoção… A Imperatriz, banhada em lágrimas, assegurava o seu perdão a essa filha querida que tinha sido o consolo, a alegria, e verdadeiro amor de sua vida.

A jovem doente pediu a sua querida mãe que transmitisse suas despedidas a todos os membros da família; ela pediu à Senhora Z… , sua querida ama, desculpas pelos pequenos desgostos que poderia lhe ter causado na sua infância e agradeceu a esta amiga tão digna a sua constante dedicação. A princesa falou palavras carinhosas a todos. Despediu-se das damas da Casa Imperial, agradeceu aos médicos os cuidados que lhe haviam dispensado e disse à sua dama de companhia, em alemão, apertando-lhe as mãos: Ich danke dir (Eu te agradeço.).

Recebeu a extrema-unção a uma hora da madrugada do dia 4 de fevereiro de 1853. A jovem princesa quis que o Viático lhe fosse administrado imediatamente depois da comunhão do Padre. Os preparativos da cerimônia prolongaram-se e a princesa ansiosa dizia repetidas vezes: “Contanto que Deus me conceda tempo para comungar ainda”. Ela recebeu o Viático às três horas da madrugada; poucos minutos depois, seria tarde demais… a agonia tinha começado.

Os sofrimentos eram terríveis; no entanto, ela não perdeu a consciência. Segurava a mão de sua mãe querida e lhe dizia algumas palavras afetuosas. Depois, mostrando o anel que trazia ainda em seu dedo emagrecido dizia: “Não se esqueçam de mandar que o tirem, antes de me colocarem no caixão”. Este anel era destinado à sua irmã, a Princesa Francisca. Às 03:45 da madrugada sobreveio uma nova crise seguida de uma melhora aparente. Maria Amélia abriu os olhos; suas feições, desfeitas pelo sofrimento, reanimaram-se; a respiração tornou-se mais fácil; a Imperatriz acreditou que Deus havia operado um milagre e que sua filha lhe seria restituída.

“Estás me vendo?” “Estás me ouvindo?” Perguntou a Imperatriz… A jovem fez um sinal afirmativo. Mas logo a esperança desapareceu. As dores recomeçaram mais violentas… depois, a respiração tornou-se mais lenta… O sacerdote deu-lhe o crucifixo a beijar… 15 minutos depois, tudo estava terminado. A alma pura de Maria Amélia havia subido ao céu! A Imperatriz viúva ficou junto ao leito onde sua filha única acabara de falecer.

Durante vinte e um anos a Imperatriz não tinha vivido senão para esta filha. Durante 21 anos Dona Amélia de Leuchtenberg havia se dedicado totalmente a educação e criação de sua única filha. Não podemos descrever tais sofrimentos de uma mãe tão amorosa e dedicada.

FONTES, DOCUMENTOS E LIVROS:

UMA FILHA DE DOM PEDRO I DONA MARIA AMÉLIA. Obra organizada, traduzida e anotada por SYLVIA LACERDA MARTINS DE ALMEIDA. COMPANHIA EDITORA NACIONAL. Disponível em: https://docplayer.com.br/122853177-Uma-filha-de-il-pedro-i-dona-maria-amelia-lvia-lacerda-martins-de-almeida-brasiliana-volume-354.html

PDF: Jornal O Panorama: Sua Alteza Imperial a Princesa D. Maria Amélia. Disponível em: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/OPanorama/1853/Junho/N24/N24_master/OPanorama1853N24.pdf

Entre cadernos e pincéis: a obra inacabada na educação da princesa “flor”. Por Maria Celia Chaves Vasconcelos e Ana Cristina Borges López Monteiro Francisco. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/index.php/rbpab/article/view/5102/pdf

O FUNCHAL NA OBRA DE MAX ROMER, 1922 – 1960 – COORD. RUI CAMACHO. Disponível em: https://pt.calameo.com/read/000019422ab4ad8a526ef

Museu da Ilha da Madeira. Disponível em: https://museus.madeira.gov.pt/Exposicao?exbID=6

Biblioteca Digital de Obras Raras. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Uma filha de Dom Pedro I Dona Maria Amélia. Disponível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/handle/doc/411

Por Apaixonados por História - Professora Sabrina Ribeiro

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