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O VELÓRIO DA PRINCESA MARIA AMÉLIA NA ILHA DA MADEIRA (FUNCHAL)

Dona Amélia não queria e não conseguia de forma alguma sepultar o corpo de sua filha única, e por esse motivo o corpo embalsamado da princesa brasileira ficou por mais de 2 meses sendo velado na capela.

Recomendamos que antes de prosseguir nesse vídeo, você assista primeiro: “A morte da Princesa Maria Amélia (Detalhado)”

No dia seguinte após a morte da princesa, o corpo foi embalsamado. A própria Imperatriz cortou os cabelos da filha e a ajudou a vesti-la. Dizem que Maria Amélia ficou com um semblante muito bonito depois da morte.

Colocaram-na em um vestido de seda branca. Seu rosto, emoldurado por um longo véu, foi enfeitado por uma coroa de rosas brancas. Um crucifixo ornava seu peito e suas mãos seguravam ramalhetes: o caixão estava cheio de flores. Maria Amélia parecia viva como um anjo que dormia em um canteiro de flores.

Às três horas da tarde do dia 05 de fevereiro de 1853, o caixão foi fechado e soldado… Durante quatro dias, enquanto se faziam os preparativos numa capela junto à casa, o caixão ficou no salão.

A 8 de fevereiro, os restos mortais da princesa Maria Amélia foram transferidos provisoriamente para uma capela vizinha, onde diariamente era celebrada a santa missa, assistida pela Imperatriz e pelas pessoas da casa. Dona Amélia não queria e não conseguia de forma alguma sepultar o corpo de sua filha única, e por esse motivo o corpo embalsamado da princesa brasileira ficou por mais de 2 meses sendo velado na capela.

O funeral

A 6 de maio de 1853, o navio enviado pela Rainha Maria II para transportar os restos mortais de sua irmã, ancorava no Funchal. A Imperatriz mandou anunciar às autoridades da ilha que o embarque se realizaria no dia 7, às duas e meia da tarde, mas que Sua Alteza não receberia ninguém. Apesar desse aviso, já bem cedinho, a multidão se comprimia nas ruas, junto às autoridades da ilha. Às duas horas, o canhão anunciou o começo da cerimônia e continuou a atirar de quinze em quinze minutos até o momento da partida.

O caixão foi carregado por doze marinheiros usando braçadeiras de luto e seguidos por outros doze que os deveriam substituir após algum tempo de caminhada.

A antiga imperatriz, que era muito respeitada por todos, acompanhava a pé o caixão, o Bispo caminhava ao seu lado. Depois vinham as damas da corte imperial, os oficiais enviados por Suas Majestades portuguesas, o Governador da ilha da Madeira, a Câmara Municipal do Funchal e os delegados de todos os distritos da ilha. Uma multidão composta de todas as classes sociais seguiam o cortejo numa atitude repleta de compaixão e dor. As autoridades do Funchal tinham mandado distribuir mais de 700 velas. Na rua que termina no mar, e que dali em diante receberia o nome da falecida princesa, encontravam-se os oficiais da marinha portuguesa, que se puseram à frente do cortejo. Quando o caixão chegou à praia, foi levado até a fragata destinada à viagem.

A população da Ilha da Madeira, até aos últimos momentos, deu testemunho de sua compaixão.

Sob o mar se encontravam dezenas de barcos de luto com bandeiras pretas, que escoltaram durante longo percurso o navio enlutado. A travessia foi favorecida pelo vento.

No dia 10 de maio o navio ancorou em Cascais e aí estacionou até o dia seguinte passando pelos fortes da entrada do Tejo, foi saudado por todas as embarcações nacionais e estrangeiras. Várias grandes personagens da corte tinham vindo até a torre de Belém, ao encontro da Imperatriz.

Ao meio-dia, lançou-se a âncora no Terreiro do Paço. As delegações das duas Câmaras subiram a bordo e pronunciaram discursos de condolências, aos quais a Imperatriz respondia com suas lágrimas. Uma emoção mais profunda lhe estava reservada: a Rainha Maria II e o Rei Dom Fernando vieram também. A Rainha chorava muito; Despejando água benta sobre o caixão de sua jovem irmã, certamente a monarca não fazia ideia que muito em breve seria a próxima a falecer.

No dia 12 de maio de 1853, às 10 horas da manhã, começou a cerimônia do funeral. Os sinos dobravam desde o nascer do sol e os canhões reboavam de 15 em 15 minutos.

A Imperatriz ficou no navio com as pessoas de seu convívio. Os ministros da rainha e os homens mais poderosos de Portugal, foram designados para segurarem as alças do caixão.

Arqueiros e lanceiros acompanhavam o cortejo fúnebre, seguidos por muitos veículos e pessoas a pé. As lojas foram fechadas, não somente nas ruas que o cortejo deveria percorrer, como também nos bairros mais afastados. Nas janelas era possível ver senhoras em trajes de luto.

Densa multidão esperava no pátio da igreja de São Vicente. Era possível ouvir os comentários dos habitantes que diziam com frequência: 

“Nós queremos ver o caixão da princesa que nos cumprimentava tão cordialmente, que nos amava e a quem também amávamos…” 

A Igreja estava lotada e a cerimônia fúnebre demorou longas horas. Quando a urna foi levada à catacumba real e colocada ao lado do caixão do imperador D. Pedro I, era possível ouvir os muitos choros e soluços que ressoavam do interior da igreja.

Durante o funeral, a rainha Dona Maria II manteve-se ao lado de sua madrasta a Duquesa Amélia, os jovens infantes choravam pela morte de sua adorável tia.

Depois disso, Dona Amélia de Leuchtenberg foi levada até sua casa, onde passaria a viver sozinha. Na manhã de 13 de maio, a Imperatriz voltou à igreja de São Vicente e desceu às catacumbas. Colocou uma coroa de rosas brancas sobre a tumba da filha e assistiu ao santo sacrifício.

Ao lado da tumba de sua filha estava a tumba de seu marido e, não muito distante, podia avistar a tumba de seu irmão o Príncipe Augusto de Beauharnais. Nesse mesmo dia, 13 de maio, era o aniversário do falecimento da Duquesa da Baviera, mãe da Imperatriz Dona Amélia.

Para entender melhor sobre a vida da segunda imperatriz do Brasil assista o vídeo: IMPERATRIZ AMÉLIA DE LEUCHTENBERG (PARTE I) A IMPERATRIZ ROSA

Tantas dores acumuladas assombravam a vida da Imperatriz. Ela encontrou algum alívio à sua dor nas obras de caridade: Cumprindo o desejo de sua filha, ela enviou importantes somas aos hospitais e conventos pobres de Lisboa.

O tempo parecia intensificar-lhe a dor. Não saia de casa, a não ser para visitar orfanatos e asilos, onde distribuía grandes esmolas. Todo dia 4 de cada mês, os habitantes de Lisboa podiam ver uma carruagem de luto que atravessava a cidade e parava no portal da igreja de São Vicente de Fora: era a antiga imperatriz Amélia que ia ao jazigo real para rezar e derramar lágrimas no túmulo da filha.

A vida de Maria Amélia, embora tão curta, deixava um grande legado de caridade.

Na própria ilha em que a filha deu seu último suspiro, a Duquesa Amélia fundou um hospital destinado à cura da doença que levou sua unigênita. Inaugurado no dia 4 de Fevereiro de 1862 o Hospício da Princesa Dona Maria Amélia, tinha como objetivo ajudar a população carente da Ilha da Madeira que acabava doente por conta dos enfermos que iam lá se tratar.

Em determinada parte do hospital é possível ler sobre uma faixa de mármore branco uma inscrição com letras de bronze:

“Chegou a esta Ilha a 30 de agosto de 1852. Faleceu a 4 de fevereiro de 1853 – tendo de idade 21 anos, 2 meses e três dias. Em memória de tão amada e chorada filha, sua saudosa Mãe levantou este edifício para tratamento de pobres, doentes de moléstia do peito.”

“Foi lançada a primeira Pedra a 4 de fevereiro de 1856 e acabada a obra no ano de 1859. Entraram os primeiros doentes a 4 de fevereiro de 1862.”

Adiante se encontra a imagem de Nossa Senhora das Dores, que foi dada pelo Arquiduque Maximiliano da Áustria, o antigo noivo da princesa. Por muito tempo, Maximiliano se ajoelhou e chorou perante Nossa Senhora, pedindo alívio para dor e saudades imensas que sentia de sua falecida noiva.

Em memória de Maria Amélia, o arquiduque fez questão de arcar com todas as despesas de dois doentes anualmente.

Muitos enfermos foram beneficiados nesse hospital, muitos tuberculosos recuperaram sua saúde no estabelecimento que perpetua os séculos e existe até os dias de hoje em memória de Sua Alteza Imperial a Princesa Maria Amélia de Bragança.

Esse vídeo foi feito a partir do livro “Uma filha de Dom Pedro I Dona Maria Amélia”, obra organizada, traduzida e anotada por Sylvia Lacerda Martins de Almeida.

FONTES, DOCUMENTOS E LIVROS:

UMA FILHA DE DOM PEDRO I DONA MARIA AMÉLIA. Obra organizada, traduzida e anotada por SYLVIA LACERDA MARTINS DE ALMEIDA. COMPANHIA EDITORA NACIONAL. Disponível em: https://docplayer.com.br/122853177-Uma-filha-de-il-pedro-i-dona-maria-amelia-lvia-lacerda-martins-de-almeida-brasiliana-volume-354.html

PDF: Jornal O Panorama: Sua Alteza Imperial a Princesa D. Maria Amélia. Disponível em: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/OPanorama/1853/Junho/N24/N24_master/OPanorama1853N24.pdf

Entre cadernos e pincéis: a obra inacabada na educação da princesa “flor”. Por Maria Celia Chaves Vasconcelos e Ana Cristina Borges López Monteiro Francisco. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/index.php/rbpab/article/view/5102/pdf

O FUNCHAL NA OBRA DE MAX ROMER, 1922 – 1960 – COORD. RUI CAMACHO. Disponível em: https://pt.calameo.com/read/000019422ab4ad8a526ef

Museu da Ilha da Madeira. Disponível em: https://museus.madeira.gov.pt/Exposicao?exbID=6

Biblioteca Digital de Obras Raras. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Uma filha de Dom Pedro I Dona Maria Amélia. Disponível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/handle/doc/411

1ª Almada Virtual: Lisboa Antiga. Disponível em: https://almada-virtual-museum.blogspot.com/2016/01/iconografia-de-lisboa-5-parte.html

2ª Almada Virtual. Fragata D. Fernando II e Glória. Disponível em: https://almada-virtual-museum.blogspot.com/2015/04/fragata-d-fernando-ii-e-gloria.html

Eventualmente Lisboa e o Tejo. Obras de Thomaz José da Annunciação. Disponível em: http://lisboa-e-o-tejo.blogspot.com/2017/09/thomaz-jose-da-annunciacao-2-de-3.html

Por Apaixonados por História - Professora Sabrina Ribeiro

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